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[Retrospectiva IndieLisboa 2016] Evolução

de Lucile Hadžihalilović

muito bom

IndieLisboa 2016 – 30 de Abril: Sessão com a presença da realizadora

Terceira longa-metragem de Lucile Hadžihalilović, Evolução é uma história alegórica de nascimento, transformação, invasão científica e metáfora marinhas, num festim visual de clima de pesadelo, onde o décor vale mais que a história ou os diálogos.

 

Estreado no Festival de Toronto de 2015, Evolução, é a terceira longa-metragem de Lucile Hadžihalilović, depois de La bouche de Jean-Pierre (1996), de Inocência (2004) e também do muito celebrado Enter the Void – Viagem Alucinante (2009) de Gaspar Noé, de que Hadžihalilović foi co-argumentista.

Com um argumento anteriormente distinguido com o NHK/Sundance Institute Award, Evolução conta-nos, através dos seus olhos, a história de Nicolas (Max Brebant), um rapaz de 10 anos, fascinado por estrelas-do-mar, que vive com a mãe (Julie-Marie Parmentier) numa ilha isolada, onde só há mulheres e rapazinhos da sua idade. É um lugar onde todos mostram um enorme fascínio com o mar e os seres aquáticos, e onde todos os rapazes são levados a fazer estranhos tratamentos no hospital local. Nele, através dos seus desenhos, Nicolas vai captar a atenção de uma das enfermeiras, curiosamente chamada Stella (Roxane Duran).

Narrado como um conto fantástico, algures entre o imaginário do terror e da ficção científica, Evolução é, acima de tudo, uma distopia que usa como referenciais o modo grotesco com que trata o corpo humano, centro de concepção, nascimento e crescimento, na tal metamorfose de que se fala nos instantes iniciais.

Em Evolução tudo é mistério, e todas as questões são deixadas em aberto, pois mais que conceber uma história com um rumo definido, Lucile Hadžihalilovic preocupou-se essencialmente em descrever um mundo, visualmente. Esse é o mundo das metáforas aquáticas, com o mar como universo misterioso e imenso, a água como fonte de nascimento (as águas primordiais da vida na Terra, dos nossos antepassados aquáticos, ou mesmo as águas do nascimento) e onde o hospital representa também muito de misterioso, invasivo, desconhecido e assustador, com o reflexo das luzes da sala de operações a parecer uma estrela-do-mar.

Evolução é, por isso, um festim visual, de proporções quase surreais, onde corpo humano, e animais marinhos parecem ser comunicantes, a água está sempre presente, e a transformação é tanto sintoma de evolução, como de intrusão assustadora. Por isso a narrativa é essencialmente visual, com Hadžihalilovic a pretender atingir-nos interiormente, de uma forma instintiva, e pouco racional, que perturba, choca e desorienta quem o vê, tanto quanto o faz ao seu protagonista.

O filme vale por isso, mais que pela história ou diálogos, pelo clima de pesadelo, filmado nas desoladas paisagens vulcânicas da ilha de Lanzarote, onde som e música são quase pedaços do décor.

Resumo da crítica

Summary

Alegoria de nascimento, transformação num clima de pesadelo de invasão científica e metáforas marítimas, na qual Lucile Hadžihalilovic nos dá um festim visual de clima de pesadelo, onde o décor vale mais que a história ou os diálogos.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

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