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[Festival Olhares do Mediterrâneo 2016] Exotica, Erotica, Etc.

de Evangelia Kranioti

bom

Documentário ficcionado de Evangelia Kranioti, numa história de melancolia poética centrada sobre o lado feminino do proverbial «uma mulher em cada porto» dos marinheiros que são esperados pelas mulheres que conhecem no estrangeiro.

 

Apresentado em jeito de documentário (algo que fica pelo estilo, pois todo o argumento é ficcional e escrito pela autora), Exotica, Erotica, Etc. (2015) é o filme de estreia da grega Evangelia Kranioti, produzido pela Aurora Films, com dinheiros franceses e gregos.

Filme de abertura do festival Olhares do Mediterrâneo, Exotica, Erotica, Etc. fala-nos da relação entre os homens do mar e as proverbiais mulheres que eles deixam em cada porto. É uma história contada no feminino, por Sandy, uma mulher já idosa que recorda com saudade os tempos em que esperava os marinheiros para se lhes dar e sentir aquele amor físico fugaz mas intenso, que ela associa à força e suavidade do mar. Por entre as narrações de Sandy são-nos trazidas, em off, os comentários masculinos do Capitão Giorgos, que descreve a necessidade de viajar e pertencer ao mar. à memória vem-nos imediatamente as viagens de Ulisses e a espera de Penélope, algo que Kranioti vai explorando subtilmente nos seus textos.

Num filme que se define pelas relações entre saudade, amor fugaz e distância, o mar urge como representante e águas primordiais que nos governam internamente, por isso como elo de ligação, mas também como separador, como viagem e até como alegoria mítica, com o exemplo das odisseias gregas sempre presente nos marinheiros gregos modernos, aqui nomeados.

Pelo filme atravessam a visão feminina e a masculina. A primeira é feita de ânsia de regresso, de saudade e memória, na voz da idosa Sandy, antiga prostituta, que vê sensualidade em cada toque e poesia no desejo sexual. Pelas suas palavras aprendemos como todos os que a amaram são hoje uma doce memória de paixões impossíveis e sonhos idílicos. Em contraste, o lado masculino é um testemunho de uma força maior que o homem, que impele a procurar, a errar, a aventurar-se, e a afogar-se temporariamente nos braços daquelas que vê como as modernas sereias, capazes de receber amor fugaz.

Com um ritmo lento, embalado pelas ondas regulares das palavras dos narradores, e banhado por lindíssimas imagens do mar, suas costas e portos, bem como momentos simples do dia a dia dos marinheiros, Exotica, Erotica, Etc. é um exercício contemplativo, de riqueza poética, que vale por essa capacidade de embalar e de fazer pensar em toda a beleza possível de gestos efémeros e amores passageiros. Deixa, por outro lado, a impressão de que esta romantização nada tem da realidade que, como documentário, se propõe a tratar, já que ela será certamente mais amarga e menos poética.

Resumo da crítica

Summary

Retrato poético da espera das mulheres que os modernos marinheiros continuam a deixar em cada porto, na voz de Sandy, uma antiga prostituta que ainda recorda a doçura do toque de todos os homens a quem se deu fisicamente.

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