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O Primeiro Encontro

de Denis Villeneuve

muito bom

Ainda com ecos do recente Interstellar (2014) de Christopher Nolan, O Primeiro Encontro (2016) traz-nos uma história tensa de comunicação com extraterrestres, num enigmático primeiro contacto.

 

Os primeiros contactos com seres extraterrestres são um dos temas mais recorrentes da ficção científica actual. Exemplos marcantes são poético Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977) de Steven Spielberg, e o «matemático» Contacto (1997), do seu discípulo Robert Zemeckis, inspirado na obra homónima do astrofísico Carl Sagan. São estas histórias de especulação sobre tais contactos, e modos de superar diferenças de linguagens, que inspiram O Primeiro Encontro (2016), a mais recente obra do canadiano Denis Villeneuve.

Depois do sucesso do seu filme anterior, Sicário – Infiltrado (2015), candidato aos Oscars, Villeneuve deixa o frenesim da acção e montagem, para se dedicar à força das ideias. Elas chegam na personagem da contemplativa Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma professora de linguística (que na sua primeira cena fala da língua portuguesa), chamada inesperadamente para ajudar a superar os problemas de comunicação com os tripulantes de estranhos engenhos voadores que se dispõem sobre diversos pontos da superfície terrestre.

E é de linguagem que fala o filme de Villeneuve. Não necessariamente das suas formas técnicas, mas sim da necessidade de contactarmos e comunicarmos uns com os outros, ultrapassando barreiras como os problemas entre as várias nações terrestres vêm mostrar, ou os puramente pessoais, de solidão e sofrimento humanos, como a Dra. Banks, secundada pelo físico teórico Ian Donnelly (Jeremy Renner), irão compreender. Mas para não explicarmos o filme com o seu fim, embora ele assim o peça, atentemos naquele que é o ponto mais complicado da premissa. Ao tentar prender-nos com a evolução da comunicação, quando na realidade tudo o que podemos fazer é acreditar que a personagem de Amy Adams perceba mais que nós, o filme perde algum do charme de construção lógica de parada e descoberta que anima as histórias deste género. Ciente disso Villeneuve atalha precipitadamente essa descoberta, que de repente parece acabada sem sabermos como.

Acima de tudo fica a interpretação de Amy Adams nas emoções que nos transmite, e o engenho narrativo de Villeneuve, que nos vai ludibriando de imagem em imagem, com elegância visual até à conclusão final. É um exercício de estilo, mas que se restringe a uma só ideia, que após descoberta pode deixar algo a desejar.

Resumo da crítica

Summary

Versão contida de Interstellar, onde os efeitos são trocados pela emoção, num enredo de conclusão complexa, cozinhado em fogo lento, para uma conclusão precipitada.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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