Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

Nem Respires

de Fede Alvarez

muito bom

Depois de surpreender os fãs do género com o eficaz e perturbador remake de Evil Dead – A Noite dos Mortos-Vivos (2013), que não só recuperava mas também acrescentava elementos ao filme de Sam Raimi, o realizador uruguaio Fede Alvarez oferece-nos mais uma bela surpresa dentro do cinema de terror, e um dos filmes genuinamente bons estreados este ano.

A narrativa é explicada de forma simples e muito directa logo nos primeiros minutos: um grupo de jovens utiliza o acesso de um deles a uma série de chaves de casas da região e respectivos sistemas de alarme para, juntos, as assaltarem quando estas se encontram vazias. Depois de uma série de roubos menores, descobrem que numa dessas casas pode estar escondida uma fortuna que depressa ambicionam. O único problema é que esta, apesar de se encontrar num bairro praticamente deserto, está constantemente habitada pelo seu dono, um invisual veterano de guerra solitário que tem como única companhia um cão.

Contar mais do que isto será desnecessário, e o espectador terá certamente todo o prazer em apreciar por si próprio o desenrolar da narrativa. Ainda assim, mais do que qualquer genialidade ao nível de um argumento recheado de surpresas (que as tem), Nem Respires vale sobretudo pela extraordinária capacidade de Alvarez estender ao máximo o suspense que pode retirar das suas cenas, nunca apressando as coisas em demasia, conduzindo-nos a um estado de verdadeiro nervosismo, algo que falta a muito cinema de terror contemporâneo, mais apostado em sustos repentinos que resultam durante um segundo, do que em construir uma atmosfera de verdadeira tensão. Aqui não faltam belos exemplares de criação puramente cinematográfica desde, por exemplo, o uso de planos longos, de toda a largura do ecrã, e da noção de pontos de vista que permitem ao realizador brincar com a nossa ansiedade: quando quer, tanto nos explica muito bem onde estão todas as personagens dentro do espaço físico onde se desenrola a acção, como nos deixa completamente às cegas [inserir risos para piada óbvia] sobre o que se passa.

O elenco de jovens actores já com alguma experiência no género é bastante eficaz (sendo que a forte presença de Jane Levy já se fazia notar em Evil Dead), e o veterano Stephen Lang (Avatar) é ameaçador o suficiente para intimidar com a sua simples presença. Outro dos pequenos prazeres de Nem Respires passa por esse divertido jogo entre o seu centro moral que, não sendo particularmente complexo ou profundo, acrescenta uma camada extra à acção: de um lado temos os adolescentes sem grandes perspectivas de futuro, mas que não pestanejam na hora de quebrar a lei e assaltar pessoas aparentemente inocentes, e do outro temos um veterano de guerra que perdeu a visão e a filha e vive isolado do Mundo, mas que está longe de ser a criatura indefesa que aparenta. Mesmo que no último terço ameace descarrilar para os lugares comuns do slasher movie, nunca cai nas suas armadilhas mais óbvias e, chegados ao fim, não há como não nos sentirmos satisfeitos: Nem Respires merece mesmo ser visto.

Resumo da crítica

Summary

Fede Alvarez oferece-nos mais uma bela surpresa dentro do cinema de terror, e um dos filmes genuinamente bons estreados este ano.

Share, , Google Plus, Pinterest,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *