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[MOTELx 2016] The Noonday Witch

de Jiři Sádek

mediano

Inspirado pelo mito tradicional eslavo de Polednice, The Noonday Witch é um filme de terror psicológico passado numa muita luminosa região cerealífera, onde a psicose dos problemas de relacionamento entre mãe e filha bebem na lenda de uma estranha bruxa que rapta crianças ao meio-dia.

 
Vindo da República Checa, Jiři Sádek tem apenas 27 anos, contando no curriculum duas curtas-metragens antes deste seu The Noonday Witch. Trata-se de um conto inspirado na lenda eslava da intitulada «Senhora do Meio-dia» (Polednice em checo) que, segundo a tradição, é responsável por enormes vagas de calor, capazes de levar pessoas à loucura. É também responsável pelo desaparecimento de crianças, que rapta ao meio-dia, o que lhe confere um outro grau de horror, já que, ao contrário do habitual, não é no escuro que se esconde, podendo surgir em pleno dia.

The Noonday Witch é, por isso, um filme da luz, filmado na planície checa, dominada por longos campos de cereais, numa paleta onde o amarelo domina (do dourado dos campos aos cabelos das protagonistas). É uma história de uma relação entre mãe, Eliška (Anna Geislerová), e filha, Anetka (Karolína Lipowská), recentemente deslocadas da cidade para o campo, onde procuram ligar-se ao ausente pai e marido, que a pequena continua a esperar que volte, embora percebamos desde logo que isso não poderá acontecer. Com segredos, mentiras, um passado mal resolvido e um futuro incerto, o par mãe e filha entra em tensão, criando, segundo a lenda, contada por uma semi-louca vizinha (Daniela Kolářová), terreno fértil para o aparecimento da bruxa Polednice.

Jiři Sádek conta assim uma história diferente, onde a ameaça vem da luz e não das trevas, num cenário onde tudo parece paz e tranquilidade, e onde o mal é suficientemente ambíguo para que nunca saibamos se é mesmo sobrenatural, ou apenas provindo das instabilidades emocionais dos personagens. Essa composição recorda-nos imediatamente O Senhor Babadook (The Babadook, 2014) de Jennifer Kent, que Sádek confessa nunca ter visto.

Só que, tendo tudo para conseguir um filme muito original, Jiři Sádek acaba vítima dos clichés que quer combater. É sempre no escuro, na lúgubre casa de Eliška, e não seguindo a sua premissa de luz, que o filme procura assustar-nos (com ruídos, movimentos, aparições que seguem os manuais do mainstream norte-americano), no que depende quase sempre dos chamados jump scares, com a banda sonora a tentar provocar os nominais saltos que as imagens por si só não provocariam, e que tornam tudo demasiado previsível.

Salva-se a beleza das imagens, e a excelente interpretação da consagrada Anna Geislerová, num filme que parece deixar demasiadas pontas soltas numa história sinuosa, evocativa da ambiguidade dos contos metafóricos de M. Night Shyamalan.

Resumo da crítica

Summary

Procurando dar-nos um conto de terror onde este habita na luz e não nas trevas, Jiři Sádek inspira-se num mito eslavo, mas perde-se entre banais jump scares, dependentes da banda sonora, numa história de relação mãe-filha, interpretada por Anna Geislerová, e filmada com uma fotografia lindíssima.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

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