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Manchester by the Sea

de Kenneth Lonergan

muito bom

Terceira longa-metragem de Kenneth Lonergan, Manchester by the Sea (2016) é um dos filmes mais aguardados deste início de ano, e um dos líderes de nomeações para a época de prémios que agora decorre.

 

Filmado na lindíssima paisagem natural do estado de Massachussets, o filme de Kenneth Lonergan usa essa paisagem quase como metáfora da história e personagem principal. Ela é aparentemente fria, levemente indómita, nem sempre compreendida, mas com muito de profundo por descobrir. É tudo isso que vai transparecendo de Lee Chandler (Casey Affleck), um homem que vive uma vida sem esperança nem interesses, perdido como porteiro em Boston, até ao momento em que uma tragédia familiar o faz regressar à cidade natal.

Em Manchester-by-the-Sea (a cidade), Lee vai ter que lidar com situações há muito pendentes, a sombra de um passado doloroso que ele procura esquecer, e principalmente com um sobrinho (Lucas Hedges), que é tudo o que ele não pediu para ter agora na sua vida.

É dessa forma, tão ausente e casual como Lee procura passar pela vida, que o filme se nos vai revelando, numa narrativa que acontece pausadamente, através de situações banais, conversas soltas, imagens dispersas e silêncios longos, que vamos colocando no lugar como quem completa um puzzle.

É esse o encanto de Manchester by the Sea, um filme que se vai deixando contar, quase sem se impor, como um pedaço de vida, que simplesmente acontece, sem razão, ou explicações supérfluas. E é nele que habita Lee, um homem normal, com problemas, erros, mau feitio, incapacidade de comunicar e de fazer sempre o melhor, ou de saber sequer o que é o melhor. Um personagem existencialista, que nos toca por ser simplesmente incompleto, e humano. E através dele brilha Casey Affleck, o qual evita histrionismos e artifícios, limitando-se a ser Lee, dando-lhe realismo, espessura, conteúdo, dor, sofrimento e quem sabe um pouco de esperança, mesmo que quase não precise de falar ou agir. É a tal força interior, a tal paisagem discreta, escondida, incompreendida, mas nem por isso menos real ou imponente. É isso Manchester by the Sea, a região, e o filme.

Resumo da crítica

Summary

Ilustrando na perfeição o cliché masculino do sofrimento em silêncio e da incapacidade de procurar conforto em palavras, Casey Affleck brilha como protagonista de Manchester by the Sea, uma história de existencialismo, discreta, mas emocional, de erros, solidão, contas com o passado, descoberta e esperança no redescobrir de uma família.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

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