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La La Land: Melodia de Amor

de Damien Chazelle

bom

Se o filme de Damien Chazelle se assume como uma homenagem ao musical clássico americano, não espanta de todo a aclamação com que tem sido recebido em terras norte-americanas. Sendo o musical um género historicamente associado ao escapismo, tendo surgido e singrado em alturas de depressão social, nada mais lógico que, após um 2016 recheado de pontos baixos (se nos centrarmos na indústria cinematográfica americana, podemos pensar na perda de várias personalidades marcantes da sua história, das fortes acusações de racismo e, claro, da eleição do novo presidente americano cujos ideais chocam com a corrente maioritariamente liberal de Hollywood), seja um filme mergulhado em nostalgia, amor, ambiciosos números de dança, e que romanceia o próprio Cinema como La La Land: Melodia de Amor, a receber os maiores destaques.

Mas se por um lado não podemos escapar ao contexto em que se insere para compreendermos o fenómeno, por outro lado devemos pensar naquilo que vale La La Land enquanto objecto cinematográfico. Em boa verdade, com todo o hype associado à sua estreia, esperávamos algo mais arrebatador. Enquanto musical puro e duro, La La Land é, com excepção dos seus primeiros minutos, contido em grandes números elaborados, e nem todos eles (ou as canções que os compõem) são particularmente brilhantes. Trata-se, até, de um filme ao qual se poderia retirar a música sem perder o fio à meada, sendo que muitas das canções cumprem mais uma função interior às personagens do que uma função narrativa. Nada disso seria problemático se a música nos dominasse por completo mas, tal como acontece na sequência de abertura, por vezes é apenas um apêndice vistoso mas inconsequente. Noutras, porém, consegue acrescentar uma carga emocional bastante interessante.

De forma simples, podemos descrever La La Land como uma história de amor entre Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), respectivamente uma aspirante a actriz e um pianista de jazz que perseguem o sucesso na competitiva e implacável Los Angeles, até o destino os ir juntando aos poucos. E aí, sim, residem as suas principais qualidades. A química entre os protagonistas, que já vimos juntos em outros trabalhos, parece melhor do que nunca, e são eles quem dão real vida a La La Land. O guião de Chazelle consegue uma mistura interessante entre as dificuldades da vida numa cidade onde os sonhos são possíveis mas raros, o drama de uma relação, e um sentido de humor bastante certeiro. Enquanto isso, não tem vergonha em trazer à memória os velhos clássicos de Hollywood, tratando-os com respeito e não como bizarrias históricas de estranhos tempos passados. Em termos visuais, tanto somos capazes de ver na câmara de Chazelle influências contemporâneas (a sua visão da Los Angeles mais residencial recorda-nos, e muito, a de Embriagado de Amor (2002), de Paul Thomas Anderson) quanto referências à Hollywood clássica ou mesmo aos musicais de Jacques Demy – e felizmente, o realizador prefere coreografar os seus números em planos gerais e longos, em detrimento da aterradora moda de muitos musicais modernos que preferem a profusão de grandes planos de curta duração que raras vezes nos permitem fazer algum sentido das suas danças.

Podemos dizer que La La Land se trata, mais do que qualquer outra coisa, de uma homenagem sentida à cidade onde decorre a acção, e o seu olhar para o passado serve para recordar que o sonho com as estrelas é uma história já muito antiga, e nesse sentido o filme coloca-se um degrau acima de objectos completamente inofensivos e esquecíveis como O Artista, um pedaço de nostalgia francamente inconsequente. Ainda assim, fica a sensação de que nem sempre justifica as suas mais de duas horas de duração e por vezes, ao contrário do que sugere a sua garrida paleta de cores, parece demasiado contido quando se esperava uma maior explosão musical, o que não deixa de ser surpreendente por vir do realizador de Whiplash – Nos Limites. Seja como for, vale pelos seus dois adoráveis actores que carregam de forma eficaz a comédia e a tragédia das personagens, e por ter o coração no sítio certo, o que parece ser o suficiente para conquistar espectadores um pouco por todo o lado onde tem passado.

Resumo da crítica

Summary

Sem ser brilhante ou inesquecível, La La Land: Melodia de Amor é uma simpática homenagem musical a Los Angeles e ao Cinema, que parece estar a conquistar adeptos mais pelo seu romantismo em tempos complicados do que propriamente pelas suas qualidades cinematográficas.

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