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La La Land – Melodia de Amor

de Damien Chazelle

muito bom

Arrasando nas nomeações aos Oscars e BAFTA, depois de já ter ganho os Globos de Ouro, La La Land – Melodia de Amor é a homenagem retro de Damien Chazelle ao grande musical de Hollywood, numa história de amor cantada e dançada como se fosse tirada de outros tempos.

 

Já sabíamos da paixão de Damien Chazelle pelo jazz, bem patente no seu anterior filme, o exagerado Whiplash – Nos Limites (2014), bem como na sua menos conhecida obra de abertura Guy and Madeline on a Park Bench (2009). Agora, a provar que é um dos nomes a ter em conta na nova geração de talentos norte-americanos, na sua terceira longa-metragem, La La Land – Melodia de Amor (2016), Damien Chazelle recupera os ritmos sincopados da mais norte-americana das músicas, e volta a mostrar a sua capacidade de construir planos-sequência arrojados, através dos quais se move uma história que tem música no seu coração.

E ter música no coração (passe o trocadilho) é, para Chazelle, uma óbvia homenagem ao musical clássico de Hollywood, o que La La Land – Melodia de Amor não se cansa de nos mostrar que é. Com uma sequência inicial, aparentemente num só take, de um arrojo incrível, com movimentos de câmara quase impossíveis, numa coreografia que a coloca sempre no meio da acção (uma autoestrada bloqueada de carros – inspirada em Fellini 8½ (1963), – por onde todos dançam e cantam), temos imediatamente a certeza de que não estamos a ver um filme banal.

Nele destacam-se logo o ecrã panorâmico e a direcção artística. Nos créditos iniciais surge «Presented in CinemaScope» por nostalgia, quando a técnica já não existe, e o filme foi rodado, em película sim, mas em Panavision. A paleta de cores remete para os anos 40/50, e essa homenagem retro é visível quer no guarda-roupa, universo da história e mesmo nos comportamentos, ainda que a acção decorra nos dias de hoje.

Mas o maior anacronismo é o da história. Temos uma candidata a actriz (Emma Stone), que de audição falhada em audição falhada, vê Hollywood como a terra do sonhos, e um pianista de jazz (Ryan Gosling), sem um cêntimo, que sonha reabilitar o jazz clássico, abrindo um clube nocturno à antiga. É no terreno do sonho e da nostalgia de tempos dourados que os dois personagens vão ter vários encontros, passando pelo tradicional (e por vezes divertido) ritual de conquista que, como mandam as regras das comédias românticas, se inicia em irritação mútua.

Se na história de amor podemos encontrar ecos de Assim Nasce Uma Estrela (1954) de George Cukor e de New York, New York (1977) de Martin Scorsese, as grandes referências de La La Land – Melodia de Amor, em termos de estética e coreografia, são filmes como Chapéu Alto (1935) de Mark Sandrich, pela elegância da conquista em passos de dança, Serenata à Chuva (1952) de Stanley Donen e Gene Kelly, pelo arrojo coreográfico e estética (onde não faltam mesmo sequências em soundstages de cenários pintados estilizados), e ainda Os Chapéus de Chuva de Cherburgo (1964) de Jacques Demy, pelo lado trágico dos protagonistas, impotentes contra o destino, que abraçam com uma nostalgia poética.

Tendo estes modelos, assumindo-os como seus, e não se coibindo de fazer ver que os quer homenagear claramente, Damien Chazelle constrói sobre eles, com a versatilidade do jazz, o encanto dos seus actores e o já citado fôlego coreográfico que torna algumas sequências verdadeiras experiências cinematográficas (por exemplo a sequência inicial, a festa em que os momentos se sucedem de modo quase alegórico, ou a ilusão final, toda ela um montagem de momentos de puro cinema e fantasia). É claro que Ryan Gosling não canta como Bing Crosby, nem dança como Fred Astaire ou Gene Kelly, e Emma Stone não canta como Judy Garland, nem dança como Ginger Rogers ou Cyd Charisse. Mas as limitações são aceites e os actores sabem quais são as suas armas, que usam na perfeição para carregar a história.

Por isso, para lhes dar espaço, o lado musical descompromete-se um pouco na segunda metade do filme, tornando-o um pouco mais convencional, e talvez desinteressante, até voltar a terminar em alta. Mas sempre com uma banda sonora belíssima, o que fica é uma ode ao sonho (quer os sonhos pessoais dos protagonistas, quer o tempo do cinema clássico como uma era de sonho) mesclada pela nostalgia da dor dos caminhos perdidos em que todos nos podemos rever.

Por nos lembrar que às vezes tudo o que precisamos é recordar a vontade de sonhar, Damien Chazelle vai, certamente, continuar a marcar o ano em termos de prémios de cinema, num filme que poderá não fazer história nem revolucionar coisa nenhuma, mas chegou num momento em que precisávamos de o ver.

Resumo da crítica

Summary

Musical romântico de um fôlego admirável, homenagem sentida ao cinema clássico de Hollywood, numa atmosfera retro, onde Emma Stone e Ryan Gosling surgem como personagens universais.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

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