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[Kino 2017] Aloys

de Tobias Nölle

bom

Primeira longa-metragem do jovem realizador suíço Tobias Nölle, Aloys (2016) fala-nos de solidão, na história de um misantropo que um dia sente a privacidade violada por uma voz que fala directamente para o íntimo da sua mente.

 

Aloys (Georg Friedrich) é um detective privado, especialista em seguir, filmar e gravar casos de traição conjugal. Fruto da sua vida vazia, ainda mais agora que o pai, sócio e companheiro de apartamento morreu, Aloys passa o tempo isolado a rever as cassetes, nas quais, com os casos, vai gravando pedaços desconjuntados do seu dia-a-dia, seja uma imagem do seu gato, ou de qualquer animal que veja nas redondezas.

Tudo muda quando Aloys perde a câmara, que vem saber lhe foi retirada quando dormia num autocarro. Ao telefone, uma voz feminina anuncia-se como detentora da câmara e de algumas das cassetes, imiscuindo-se, não só na sua actividade, como no interior da sua mente. Apercebendo-se violado na sua privacidade, tal como faz com os outros, Aloys fica irritado, e inicia uma busca por todas as pistas deixadas pela voz. A busca torna-se obsessão, esta passa a curiosidade, e em breve um modo de vida, principalmente depois de Aloys descobrir quem é Vera (Tilde von Overbeck), a mulher que lhe telefona.

Tudo o que se segue é uma busca interna, na qual Aloys, permitindo que aquela voz coabite dentro da sua cabeça, vai deixar que ela o guie, tente descobrir nele fantasia, e construa uma nova realidade na qual Aloys e Vera se fazem companhia, mesmo que cada vez estejam mais distantes da realidade. Se até aí Aloys observara o mundo pela sua câmara, «como uma festa para a qual não fora convidado», agora, guiado pela voz de Vera, quer ser centro da sua própria festa, mesmo que esta aconteça num reino de fantasia que talvez não permita a realidade de um encontro entre ambos.

Há na história de Tobias Nölle (que também escreveu o argumento) algo que remete para Her/Uma História de Amor (2013) de Spike Jonze, com a mesma construção de uma realidade pessoal por parte de um introvertido, a partir de uma voz que não passa de uma companhia virtual. Mas onde Jonze romantiza e provoca com o lado distópico, Nölle prefere filmar a solidão no que esta tem de mais frio e patético. Por isso, a história torna-se tão comovente como desconcertante e fria, e o protagonista tão digno de simpatia como de desconfiança e às vezes repugnância. Isto numa realização que brinca com a nossa percepção, como se, cada vez mais, o filme se passasse dentro da cabeça de Aloys, e nós não fôssemos mais que os detectives, que sem qualquer moral espreitamos para a privacidade de outrem.

Resumo da crítica

Summary

História de um misantropo que deixa que uma voz ao telefone lhe vá trazendo a fantasia que sempre lhe faltou, e a vontade de viver a sua vida, numa narração fria de Tobias Nölle e interpretação impecável de Georg Friedrich.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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