Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

A Idade das Sombras

de Kim Jee-woon

muito bom

Em jeito de film noir de espionagem, chega-nos da Coreia do Sul, A Idade das Sombras, uma forma de Kim Jee-woon ajustar contas com o passado, o seu, depois da experiência falhada nos EUA, e o do seu país, na raras vezes contada história da ocupação japonesa.

 

Depois de abordar o terror e a ficção científica, e de tentar em vão triunfar em Hollywood, filmando com Arnold Schwarzenegger, Kim Jee-woon, um dos nomes mais interessantes do novo cinema de género da Coreia do Sul, traz-nos um invulgar thriller de espionagem, passado na Coreia nos anos 20 do século passado, durante a ocupação japonesa, e com a chancela da Warner Bros. Pictures.

A Idade das Sombras (2016) leva-nos a Seul e Xangai, em 1923, com base na história que estará por detrás do ataque terrorista à sede da polícia de Jongro, em Seul, símbolo do poder colonial nipónico, o qual foi perpetrado pela resistência coreana, que se opunha à ocupação, e que foi um rude golpe no orgulho japonês.

No centro temos Lee Jung-chool (Song Kang-ho), um capitão da polícia coreana, que obedece às forças ocupantes, na procura e desmantelamento das redes de resistência. Ele próprio um antigo membro da resistência, agora empenhado em colaborar com o poder colonial, Lee Jung-chool vai ver as suas lealdades divididas, principalmente depois de testemunhar o martírio do antigo amigo Kim Jan-ok (Park Hee-soon), e começar a ser abordado, por Kim Woo-jin (Gong Yoo), o líder local que o chefe de polícia quer expor. Após o encontro com o chefe máximo da resistência, Che-san (Lee Byung-hun), que o tenta recrutar para ajudar na operação de transporte de explosivos de Xangai para Seul, Lee Jung-chool passa a jogar um jogo perigoso de agente duplo, nem sempre se percebendo se espia os resistentes para os japoneses ou vice-versa, ou ainda se é apenas um malabarista na corda bamba, tentando salvar a sua pele.

É essa incerteza, num argumento sinuoso, e dado a volte-faces de um suspense sempre crescente, que constitui a força de A Idade das Sombras. E aí, Kim Jee-woon mostra-nos como sabe jogar com o tempo, com as nossas expectativas, e com os cenários fechados (a sequência do jogo de gato e de rato no interior do comboio é de antologia). A acção, que quando está presente é de uma violência que ultrapassa qualquer filme de Hollywood, é ritmada e sempre justificada pelo argumento, e a atmosfera nunca desleixa o estilo, que vai do quase noir ao glamour que não envergonharia os clássicos barrocos de gangsters norte-americanos.

No final são sempre as reviravoltas do argumento, baseados nas indecifráveis lealdades de um coreano que, desiludido com a situação, parece resignar-se a trabalhar para o Japão, que vão fazendo avançar a história. Esta, cozinhada em lume muito brando, é surpreendente até final, não espantando que o filme tenha recolhido o elogio da crítica, desde os prémios da indústria sul coreana, ao Prémio Manoel de Oliveira de melhor realizador no recente Fantasporto, depois de apresentações em Veneza e Toronto.

Talvez passe ao lado como um filme sem estrelas, e sem uma mensagem, ou estética inovadoras, mas A Idade das Sombras, nos seus jogos de violência estilizada, suspense de antologia e tensões de classe entre golpes de contra-espionagem e lealdades divididas, é uma agradável surpresa, que talvez mereça mais crédito que a maioria dos thrillers de espionagem que nos vão chegando do continente americano.

Resumo da crítica

Summary

Thriller de espionagem filmado numa fotografia que lhe dá um aspecto de clássico, A Idade das Sombras é um filme de época de lealdades e contra-espionagens complexas, com momentos de suspense de verdadeira antologia.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Share, , Google Plus, Pinterest,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *