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Homenzinhos

de Ira Sachs

muito bom

Menos de um ano depois de O Amor é Uma Coisa Estranha ter chegado às nossas salas, o realizador Ira Sachs está de regresso com um novo e discreto filme que faz da subtileza e do humanismo os seus pontos fortes, continuando a ignorar os tiques e maneirismos irritantes que dominam grande parte da produção indie norte-americana. Homenzinhos conta-nos sem grandes artifícios a história da amizade entre dois rapazes que é posta em causa por uma discussão entre as famílias de ambos após a morte do avô de um deles.

Tal como no seu filme anterior, aquilo que aqui mais se destaca é a abordagem que Sachs faz da vida na Nova Iorque actual, onde a exorbitância dos valores do mercado imobiliário e das rendas tem sido tema de discussão. Ao contrário de muitos (e alguns muito bons) filmes que tratam a mágica cidade como um lugar de sonho, Sachs opta por uma visão mais realista, sublinhando as dificuldades de subsistência num ambiente que nos recorda muitas vezes que os sonhos custam dinheiro. Tudo isto, voltamos a sublinhar, é feito sem o alarido histriónico que por exemplo podemos ver em qualquer telenovela, tornando na verdade as coisas mais realistas – realismo que felizmente não se procura com recurso a câmaras ao ombro e planos constantemente instáveis, mas sim com o talento, a paciência e o cuidado para captar as personagens e os espaços que elas habitam.

Se o elenco dos ‘adultos’ é excelente e se revela sempre à altura dos acontecimentos (percebendo que este é filme para passarem discretos e não para grandes explosões dramáticas), são os dois rapazes que chamam a atenção, especialmente pela dinâmica que Sachs conseguiu construir entre as suas personagens. Theo Taplitz, como o mais introvertido aspirante a artista plástico e Michael Barbieri, como o mais extrovertido miúdo de Brooklyn aspirante a actor são os verdadeiros protagonistas, e felizmente estão escritos como verdadeiros miúdos, e não como versões chico-espertas de adultos em ponto pequeno.

Regressando ao início, Homenzinhos parece quase uma sequela de O Amor é Uma Coisa Estranha, começando algures onde este tinha terminado – a morte de um idoso por um lado, o despertar para a vida de um adolescente por outro. E quando termina, Homenzinhos parece também fazê-lo em suspenso, deixando a sensação de que algo ainda ficou por dizer. Mas parece ser precisamente para aí que está virado o cinema de Ira Sachs, cujos filmes se assemelham um pouco àqueles momentos discretos da vida aos quais não damos a devida importância quando acontecem, mas que acabam por deixar uma marca. Homenzinhos é isso também, um filme tão discreto (e curto na duração) que não tenta enfiar-nos nenhuma moral pela garganta abaixo, mas que deixa algo na cabeça do espectador.

Resumo da crítica

Summary

Ira Sachs dá continuidade à sua carreira como um dos mais discretos, subtis e humanos realizadores da cena indie norte-americana, e Homenzinhos é mais uma prova do seu talento para dirigir actores e assinar estes pequenos retratos da vida.

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