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[Festa do Cinema Italiano 2017] Um Beijo

de Ivan Cotroneo

mediano

Segunda longa-metragem para cinema do habitualmente mais conhecido como argumentista Ivan Cotroneo, Um Beijo é um coming-of-age que procura pisar o terreno aberto por James Dean e Nicholas Ray.

 

Os chamados coming-of-age, ou filmes de crescimento e auto-descoberta de uma juventude inquieta, constituem um terreno fértil no cinema, praticamente desde que James Dean protagonizou Fúria de Viver/Rebel Without a Cause (1955) de Nicholas Ray. O tema parece nunca sair de moda, o que se deve à sua própria constante actualização (agora com o bullying e a homofobia em destaque), na mais acelerada das fases da vida humana. Foi talvez com esse modelo em mente que Ivan Cotroneo, até aqui mais conhecido como argumentista, realizou a sua segunda longa-metragem para cinema Um Beijo/Un Bacio (2016).

Com a acção a decorrer na actual Udine, no Nordeste de Itália, Cotroneo conta-nos a história de três jovens estudantes de liceu. Eles são Lorenzo (Rimau Ritzberger Grillo), um órfão, assumidamente gay, que chega a nova e progressista família adoptiva; Blu (Valentina Romani), uma rapariga inaptada, filha de um casal em crise, numa escola onde é acusada de promiscuidade com rapazes mais velhos; e Antonio (Leonardo Pazzagli), um desportista introvertido, ainda a braços com a morte do irmão, e com a tristeza nunca assumida na sua família. As diferenças entre eles e o resto do liceu vão aproximá-los uns dos outros numa amizade irreverente, capaz de os fazer esquecer momentaneamente tudo aquilo que torna a adolescência um oceano intransponível de dramas.

Com isso em mente, Cotroneo traz-nos também alguma irreverência, quer nos diários narrados de Blu, quer nas imaginações coloridas (em jeito de musical) de Lorenzo, quer nas escapadelas dos três jovens, onde se conseguem personagens que tentam fugir aos clichés, e agarrar com alguma originalidade o âmago do que são as instabilidades da juventude.

Infelizmente, o que parecia ser um filme que conseguia furar convenções para nos trazer imagens realistas, cai na previsibilidade das desilusões amorosas e finais trágicos que não fazem mais que recordar que, afinal, sempre era Fúria de Viver que Cotroneo estava a tentar reinventar, numa espécie de tragédia que é a de todos os filmes de juventudes inquietas terem de ter um final igual.

Resumo da crítica

Summary

Com um coming-of-age de uma amizade improvável, Ivan Cotroneo consegue em parte ser irreverente e inovador, para se resignar a cair nos clichés e previsibilidades de género que continua a ter como modelo Fúria de Viver (1955) de Nicholas Ray.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

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