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[Festa do Cinema Italiano 2017] Sonhos Cor-de-Rosa

de Marco Bellocchio

bom

Um dos mais importantes realizadores italianos da actualidade, Marco Bellocchio volta a Portugal com honras de abertura da 10ª Festa do Cinema Italiano, para um melodrama de contornos psicanalíticos.

 

Basta o título Fai Bei Sogni/Sonhos Cor-de-rosa para nos remeter para as referências de psicanálise que constituem o grosso do novo filme de Marco Bellocchio, adaptado do livro homónimo de Massimo Gramellini. Partindo da relação entre uma mãe e um filho, o filme explora a dor da perda, e os efeitos dessa relação, cortada tão cedo, na personalidade de Massimo (interpretado sucessivamente por Nicolò Cabras, Dario Dal Pero e Valerio Mastandrea), o protagonista que passa de criança em negação (fascinado por pelo fictício demónio Belfagor de uma série televisiva) para um reputado jornalista (tal como o é Gramellini) incapaz de se relacionar emocionalmente com outras pessoas.

Mais que compreendermos o papel da dor da perda, ou a história por detrás da morte da sua mãe (Barbara Ronchi), morte essa que para Massimo parece ter um mistério que para nós não se justifica, interessa a Bellocchio simplesmente descrever-nos os efeitos dessa morte no seu protagonista. Por isso o filme, que decorre em diversos momentos temporais, nem sempre contados cronologicamente e saltando entre eles sem preocupações factuais, é essencialmente contemplativo, onde o rosto de Massimo (criança, adolescente e adulto) é a tela onde podemos ler toda a mensagem de Bellocchio.

Por detrás dessa tela, os episódios vão decorrendo quase que sem se perceber porquê, pintando a traços largos momentos da sociedade italiana das últimas décadas, da paixão pelo futebol e pelo Torino (com a tragédia de 1949 evocada mais de uma vez), à futilidade do jornalismo, relações com a fé, conturbados meandros da política, e episódios da guerra na Bósnia. Se por um lado, Bellocchio parece fazer a psicanálise de um tempo que é afinal o seu, por outro o filme torna-se pouco conciso, com caminhos erráticos que nem sempre acrescentam à história. Não que não tragam momentos marcantes, como acontece na fotografia forçada da mulher morta em Sarajevo, ou na sequência dos saltos para a piscina em que Massimo revive interiormente a morte da sua mãe. Mas no final fica a ideia de que andámos em círculos para chegar onde já estávamos, por vezes com uma decidida intenção de puxar à lágrima, e a uma previsível salvação numa nova relação amorosa (Bérénice Bejo).

Como um exercício de psicanálise, talvez Gramellini (e com ele, Bellocchio) esteja a olhar essencialmente para si, no que nos recorda um pouco Cinema Paraíso (1988) de Giuseppe Tornatore. O resultado é titubeante, onde as boas ideias se deixam prender por uma excessiva duração e tentações melodramáticas descaradas.

Resumo da crítica

Summary

Drama sensível, de tendências melodramáticas, onde a psicanálise da perda se liga a momentos da história recente italiana, na vida de um jornalista relutante em dar-se pelo medo de reviver as suas mágoas.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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