Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

[Festa do Cinema Italiano 2017] Políticos não se Confessam

de Roberto Andò

bom

Depois do sucesso de Viva a Liberdade (2013), Roberto Andò volta a usar a sátira política como tema do seu novo filme, Políticos Não Se Confessam/Le Confessioni (2016).

 

Alicerçado na presença daquele que será, sem dúvida, o actor italiano da moda, Toni Servillo, presença habitual nos filmes de Paolo Sorrentino, Roberto Andò realizou, a partir de um argumento escrito a meias com Angelo Pasquini, uma sátira política em tom trágico que funciona basicamente como um thriller psicológico.

Tudo acontece no luxo de uma reunião do G8, que conta com alguns convidados extra, com vista a dar uma face humana a algo tão desumanamente tecnocrático. Eles são a escritora Claire Seth (Connie Nielsen), o músico Michael Wintzl (Johan Heldenbergh) e o monge Roberto Salus (Toni Servillo). É este que atrai as atenções, pois a sua presença é uma surpresa para todos, menos para o anfitrião, o director-geral do FMI Daniel Roché (Daniel Auteuil), que quer ser, secretamente, ouvido em confissão.

A partir daí, e do pânico que se gera em função das possíveis confissões de Roché a Salus, joga-se um jogo de gato e do rato sobre o que pode o monge saber e quais as implicações sobre o futuro do mundo. A dada altura fala-se de Hitchcock, pelo seu filme Confesso (1953) que tem um padre e uma confissão no centro do enredo, e é em Hitchcock que se pensa durante o resto do filme, em particular no artifício a que o mestre inglês chamava «MacGuffin» que consistia na razão nunca explicada que motivava as acções dos personagens. Tal como para Hitchcock o «MacGuffin» era menos irrelevante que a trama, Roberto Andò mostra-nos que na política actual não é necessário nada de concreto, apenas rumores e planos, para agitar desastrosamente a economia mundial, feita por políticos que não têm, nem interesse, nem mão naquilo a que presidem.

É essa ironia que reside no centro de Políticos não se Confessam, onde o silêncio de um monge, uma fórmula matemática sem significado, e um segredo que talvez nem exista são suficientes para abalar um conjunto de políticos e modificar por completo estratégias internacionais.

Na tradição daquela que é, talvez, a melhor escola de filmes políticos do mundo (a italiana), Roberto Andò constrói um thriller dramático que, se não lidasse com assuntos tão sérios quanto reais, pareceria quase uma comédia absurda. Nele pontifica o carisma sereno e inigualável de Servillo e um argumento inteligente, servido por uma forma lenta e contemplativa de filmar que parece quase um piscar de olhos a Sorrentino.

Sem surpreender em demasia, e com um final um tanto anti-climático, Políticos não se Confessam é uma bofetada de luva branca que nos recorda o quanto a política actual se tornou apenas um jogo abstracto sem ligações à realidade.

Resumo da crítica

Summary

Thriller psicológico sobre o quão abstracta se tornou a política dos nossos dias, Políticos Não Se Confessam traz-nos um Roberto Andò a pisar terreno de Sorrentino, em mais uma interpretação carismática de Toni Servillo.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

Comentários

Share, , Google Plus, Pinterest,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *