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[Festa do Cinema Italiano 2017] Na Guerra por Amor

de PIF

muito bom

Pela segunda vez, em dois filmes, o popular PIF (Pierfrancesco Diliberto) descreve o mundo da máfia italiana, desta vez contando no seu jeito cómico o que ele chama uma refundação da máfia moderna a partir do desembarque americano na Sicília durante a Segunda Guerra Mundial.

 

O provérbio popular «a brincar se dizem as verdades» parece ser a inspiração do segundo filme de Pierfancesco Diliberto, o siciliano de nome artístico PIF, que começou por se dar a conhecer na televisão, para agora, através de alguns acutilantes filmes, procurar ajustar contas com o passado da sua região natal, em particular com a ainda muito secreta história da máfia.

Voltando atrás no tempo, à Segunda Guerra Mundial, e ao desembarque das tropas aliadas na Sicília em 1943, PIF interpreta Arturo Giammaresi, um imigrante italiano nos Estados Unidos, apaixonado Flora (Miriam Leone), sobrinha do seu patrão (Orazio Stracuzzi), prometida em casamento ao mafioso Carmelo (Lorenzo Patané), filho de Don Tano (Mario Pupella), do clã de Lucky Luciano. Com tanto contra si, Arturo acaba por se alistar no exército, para poder entrar na Sicília, e assim pedir a mão de Flora ao pai desta.

Tudo isto é um pretexto cómico para acompanharmos o desembarque das tropas americanas na Sicília, e o modo como são recebidas, na ficcional aldeia de Crisafulli, controlada pelo mafioso Don Calò (Maurizio Marchetti). Aí, por entre episódios rocambolescos, e personagens patéticos, vemos como a OSS (serviços secretos norte-americanos) preparou o contacto com os mafiosos locais, para facilitar a entrada das tropas, a troco de favores, como são a libertação de presos, e a colocação de um novo sistema de poder local, nas mãos destes mafiosos, que fundariam o partido Democracia Cristã (DC) e condicionariam a vida política e social do sul de Itália durante a segunda metade do século XX.

Nesta espécie de versão cómica e alternativa de Libertação/Paisà (1946) de Roberto Rosselini, Arturo Giammaresi é um mero espectador, um pateta alegre ao jeito de Forrest Gump, sempre no centro dos acontecimentos, mas sem entender nada da cínica política norte-americana, e das consequências para a sua terra natal. A comicidade inocente por ele trazida, bem como por muitos dos personagens secundários, pelas idiossincrasias locais e a especificidade do dialecto que se tornam obstáculos incontornáveis, são um contraponto para o tal pano de fundo que é a construção das teias políticas italianas a partir das alianças com a máfia, naquilo que PIF define como a estratégia americana de fazer do inimigo do seu inimigo é um amigo pontual.

Mesmo que recorrendo a alguns elementos telenovelescos, PIF consegue um filme directo, de mensagem política fortíssima, sem que a característica cómica o atenue. É de tirar o chapéu à coragem de quem chama os bois pelos nomes, e não se coíbe de brincar com as idiossincrasias e defeitos do seu próprio país, algo que ainda não se aprendeu a fazer em Portugal, onde o passado parece um segredo religioso.

Resumo da crítica

Summary

Com uma comicidade natural e quase inocente, PIF conta, com acutilância, por entre Paisà e Forrest Gump, como o desembarque libertador americano na Sicília, em 1943, levou à refundação da máfia, sua aliada.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

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