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[Festa do Cinema Italiano 2017] Se Deus Quiser

de Edoardo Maria Falcone

bom

Procurando recuperar a fórmula e classe da velha commedia all’italiana, Edoardo Maria Falcone estreia-se na realização com Se Deus Quiser, um filme feito à medida para Marco Giallini e Alessandro Gassman.

 

Depois de alguns filmes onde participou como argumentista, Edoardo Maria Falcone passou à cadeira de realização com Se Deus Quiser/Se Dio Vuole (2015), um filme que procura recordar a saudosa commedia all’italiana dos anos 60 e 70,

Misturando uma subtil crítica, tanto à religião como à falta de valores do materialismo, com uma farsa de enganos e personagens ridicularizáveis, Falcone constrói uma teia de situações com alguma inteligência, conduzindo uma história divertida. Esta é a de Tommaso (Marco Giallini), um reputado cirurgião, demasiado narcisista para reparar em quem está à sua volta, como é o caso da esposa Carla (Laura Morante), para a qual não tem tempo, da filha Bianca (Ilaria Spada), que ele vê como uma inútil, e do genro Gianni (Edoardo Pesce), que para ele é pouco mais que um imbecil. A excepção é o filho Andrea (Enrico Oetiker), que o desilude quando decide abandonar o curso de medicina para se tornar padre. Tommaso perde as estribeiras e resolve investigar a razão, percebendo que tudo começou na influência do padre Don Pietro (Alessandro Gassman), um ex-presidiário, que Tommaso desconfia use a batina como disfarce. A partir de então, Se Deus Quiser centra-se na relação improvável entre Tommaso e Don Pietro, um padre pouco ortodoxo, que por vias transversas vai começar a fazer Tommaso reavaliar a sua vida.

Com um conjunto de situações caricatas, servido de réplicas imaginativas, boas interpretações (acima de todos Gassman, um verdadeiro herdeiro do seu pai Vittorio) com um conjunto de twists que têm sempre o condão de servir o avanço da história e não de se servirem dela, Se Deus Quiser consegue divertir sendo provocante, lembrando-nos a tal ausência de valores que dão sal à vida, sejam eles a crença na espiritualidade, a poesia natural do quotidiano, ou o romantismo das situações partilhadas. É isso que Tommaso aprende, mesmo se à custa de uma enorme amargura, a qual, à maneira da velha commedia all’italiana nos chega como o necessário contraste que nos ajuda a dar valor ao que de importante devemos sempre procurar.

Resumo da crítica

Summary

Comédia que procura lembrar a antiga commedia all’italiana, Se Deus Quiser parte dos equívocos da vocação religiosa para confrontar divertidamente a estranheza da devoção com o vazio do quotidiano, através da relação improvável entre os personagens de Marco Giallini e Alessandro Gassman.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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