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Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo Que Abalou a América

de Michael Almereyda

muito bom

Há filmes assim, talvez o seu valor cinematográfico não espante, mas a mensagem que transmitem é poderosa, como um documento de valor educacional. É o caso de Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo Que Abalou a América (2015), um filme que nos ensina muito sobre a nossa tendência a obedecer cegamente a autoridades, escudando-nos numa auto-desresponsabilização.

 

Em 1963, o psicólogo de Harvard, Stanley Milgram, então com 30 anos, publicava o artigo «Behavioral Study of Obedience», resultado das experiências que o tornaram famoso. Nelas Milgram criava um cenário no qual os seus sujeitos acreditavam estar a infligir choques eléctricos a outra pessoa, por castigo de perguntas falhadas. Milgram queria perceber até onde vai a obediência cega, provinda de uma auto-desresponsabilização. Descobriu para seu espanto que 65% dos testados iam até ao fim, nunca colocando a hipótese de desobedecer e parar.

Com resultados tão chocantes, que convidavam a repensar o comportamento humano, sobretudo nas então ainda mediáticas responsabilizações pelos crimes da II Guerra Mundial, nem os pares de Milgram aceitaram o valor das experiências, o que colocou a sua carreira num limbo, até à publicação, em 1974 do seu controverso livro «Obedience to Authority».

É com base nesse livro, escrito com algum distanciamento e humor negro, que Michael Almereyda constrói o seu filme Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo Que Abalou a América (2015), sobre a vida científica de Stanley Milgram (Peter Sarsgaard).

Através da narração das experiências (que não se ficam pela citada experiência de obediência) temos alguns olhares para o homem por detrás delas, por vezes em discurso directo para a câmara, com o tal humor negro e fino. Acompanhamos a sua amargura quanto aos resultados e sua não-aceitação, vemos um pouco da sua relação com a esposa Sasha (Winona Ryder) e o modo como tenta relacionar as suas descobertas com o mundo em que vive.

Reside aí o problema de Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo Que Abalou a América. Se em termos de documentário científico o filme é extremamente detalhado e honesto, falha em todos os outros propósitos, nunca nos dando personagens que sejam mais que os elementos das ditas experiências. Não que Peter Saarsgard (e na verdade o filme é apenas ele) falhe, mas o material que tem entre mãos gasta-se rapidamente, e se ansiamos por saber que nova experiência ele tem preparada, pouco mais nos interessando saber sobre a pessoa ou sobre os restantes personagens.

Fazendo uso de imagens de arquivo (por vezes a preto e branco) como cenário, indo ao simbolismo de, por duas vezes, deixar um elefante passear num corredor (o proverbial «elephant in the room»?) e abusando do discurso directo, Michael Almereyda tenta diversificar o estilo narrativo e visual, mas a inconsistência das suas opções deixam-nos sempre o sabor de algo forçado.

Fica, acima de tudo, um filme que é um documento de enorme valor educacional sobre quem somos como espécie, e sobre algumas verdades demasiado incómodas para querermos aceitar que nos caracterizem. Tal como acontecera recentemente com As Sufragistas (Suffragette 2015) de Sarah Gavron, mesmo que como objecto cinematográfico, Experimenter: Stanley Milgram, O Psicólogo Que Abalou a América deixe algo a desejar, pelo valor da sua mensagem, e aquilo que nos pode ensinar sobre quem somos, merece um olhar bastante atento.

Resumo da crítica

Summary

Com um filme que é quase um documentário científico, narrado com alguma ironia pelo protagonista Peter Saarsgard, Michael Almereyda dá-nos Experimenter: Stanley Milgram O Psicólogo Que Abalou a América. Algo limitado como objecto cinematográfico, o filme vale pelo seu valor educacional sobre algumas verdades que talvez não queiramos aceitar sobre quem somos como espécie.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

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