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[Especial Underworld] Underworld (2003)

de Len Wiseman

Em 2003, Len Wiseman, um realizador que começou como assistente do especialista em blockbusters Roland Emmerich, e fez carreira na realização de anúncios publicitários e videoclips musicais, estreava Underworld, franchise da qual é co-autor, e que modernizava o mito dos vampiros num pacote de acção reminiscente de Matrix.

 

A ideia era criar novos ícones na mitologia cinematográfica das histórias de vampiros e lobisomens, com uma imagem moderna, que lhe valeu desde logo processos da marca de jogos de trading cards e roleplay White Wolf, pela proximidade entre o imaginário da sua franchise e dos produtos daquela companhia. O mote era uma épica rivalidade entre as duas espécies de seres sobrenaturais que, se embora não original, e já sugerida em livros e filmes anteriores, nunca tinha sido como aqui explorada. O sucesso da ideia ficou patente na quantidade de aproveitamentos feitos posteriormente, quer no cinema (série Twilight), quer na TV (série True Blood). Bebendo inspiração em material da literatura gótica, e usando a sua experiência de imagem trazida da linguagem dos videoclips, Len Wiseman quis ir mais longe, baseando-se claramente no estilo visual de Matrix, de que muitas cenas deste Underworld parecem visualmente decalcadas.

Em vez de Neo temos Selene (Kate Beckinsale), uma vampira que veste de látex negro, roupa bem justa ao corpo, casaco longo ondulante (numa alusão aos duster coats do velho oeste), e se move com a agilidade/versatilidade do herói de Matrix. O filme é, nitidamente, desenhado para realçar a personagem de Kate Beckinsale, com todas as poses e ângulos de câmara estudados de modo a evidenciá-la como um ícone, ao estilo da banda desenhada. Mas para além do festim visual e tecnológico, Underworld consegue ainda uma certa aura de gótico, quer na linguagem e pose aristocrática (arcaica) dos vampiros, quer no cenário identificável da velha mansão gótica, quer nas deambulações nocturnas de Selene, qual anjo caído (ou amoral personagem noir), vigiando de cima a cidade negra. Terminam aí as alusões ao gótico, pois o filme torna-se cada vez mais um filme de acção, com oponentes imortais (curioso como aqui não há undeads nem amaldiçoados, apenas imortais) que usam armas de fogo do modo mais ostensivo possível (novamente a lembrar Matrix).

A história está bem desenhada, mostrando-nos a luta entre vampiros e lycans (abreviatura de licantropos, lobisomens com domínio das suas formas), falando-nos de traições e conspirações, com insinuações de histórias passadas, a pedir as sequelas que obviamente aconteceram. Lamenta-se no entanto o desperdício de balas (que é como quem diz a acção desenfreada que passa de estilizada a aborrecida) e a plasticidade em torno do explorar da imagem de Beckinsale.

Destaque para as sólidas interpretações de Bill Nighy e Michael Sheen, o primeiro como o ancião vampiro Viktor, mentor de Selene, com muito jogo escondido, o segundo como Lucian, o mais importante dos lycans, numa missão arriscada e sangrenta. Carta fora do baralho é o humano Michael Corvin (Scott Speedman), que Selene se vê compelida a salvar de uns e outros, sem saber bem porquê, desafiando tudo e todos, marcando o caminho solitário que terá de seguir depois isso, à boa maneira dos citados anti-heróis noir.

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