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[Especial Underworld] Underworld: A Revolta (2009)

de Patrick Tatopoulos

Como terceiro capítulo da saga de vampiros vs. lobisomens de Len Wiseman, temos uma prequela que explica as origens de alguns dos personagens da série. É Underworld: A Revolta (2009), desta vez com realização de Patrick Tatopoulos.

 

Estava implícito, tanto nas insinuações que ficavam a meio, como nos flashbacks que já nos tinham sido dados a ver. Havia uma história antiga a contar, e é isso que se faz em Underworld: A Revolta (Underworld: Rise of the Lycans, 2009) filme que serve de prequela aos dois capítulos anteriores da saga, Underworld (2003) e Underworld: Evolução (2006).

Várias décadas depois da criação do primeiro vampiro e primeiro lobisomen (os irmãos Marcus e William Corvinus, respectivamente), e de guerra total entre as duas raças, em cativeiro, nasce Lucian (Martin Sheen), o primeiro licantropo, um homem capaz de se transformar em lobo, mas controlando a sua vontade. Viktor (Bill Nighy), senhor dos vampiros, apercebendo-se do valor desta nova raça que pode ser submissa, decide aumentar os seus números, e usando-a como escravos, e guardas durante o dia. Mas a filha de Viktor, Sonja (Rhona Mitra) apaixona-se por Lucian, com quem enceta uma relação vista como horrenda aos olhos dos elitistas vampiros. O segredo é descoberto quando Lucian tem de arrancar a sua coleira para salvar Sonja, emboscada pelos lobisomens. O resultado é o castigo de Sonja pelo próprio pai, e a fuga de Lucian, que incita os escravos à revolta, iniciando a sua milenar vingança conta os vampiros.

Deixando o território do gótico urbano dos primeiros dois filmes da série, Underworld: A Revolta mergulha na mitologia da criação do primeiro licantropo (ou lycan, aqui com significado diferente de lobisomen = werewolf), e o início da guerra com os vampiros. Decorrendo a acção num passado longínquo de sabor medieval, onde espadas, lanças e bestas são as armas usadas, conseguimos em grande parte (salvo nas cenas de transformação) esquecer-nos que estamos perante seres sobrenaturais, já que o enredo é de golpes palacianos, escravatura e uma história de amor impossível com contornos shakespeareanos. Os vampiros parecem aqui cavaleiros de armaduras reluzentes, que, em vez de morder, combatem galantemente com armas medievais, seguindo um código de honra, e fiéis ao seu senhor, Viktor (interpretado soberbamente por Bill Nighy), que governa – e castiga – com inflexível mão de ferro.

O mestre de efeitos especiais, Patrick Tatopoulos, toma aqui a cadeira de realizador, substituindo Len Wiseman. O resultado é evidente, e o filme torna-se ainda mais dependente das figuras CGI (imagens geradas por computador) usadas em metamorfoses, perseguições e combates alucinantes, nem sempre filmadas com clareza, com muito sangue a jorrar, seja por dentadas, chicotadas ou lanças a trespassar a carne. Mas o filme não é só acção, e às boas interpretações dos três actores principais deve juntar-se o bem conseguido ambiente do frio castelo dos vampiros, pensado com detalhe, e filmado com uma elegância que dá à noite eterna do seu interior uma riqueza de tons escuros e ameaçadores.

Mesmo sem a imagem icónica de Kate Beckinsale (aqui presente apenas em voz off, no início), Underworld: A Revolta tem o mérito de fugir à necessidade que Len Wisemen teve de tornar os dois primeiros filmes uma espécie de más cópias de Matrix, transportando-nos para um mundo mais consentâneo com a lenda que pretende contar, onde as poses plásticas são substituídas por motivações mais viscerais, e onde a história respira melhor.

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