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Os Olhos da Minha Mãe | Entrevista a Kika Magalhães

Os Olhos da Minha Mãe | Entrevista a Kika Magalhães

Falámos com Kika Magalhães, actriz principal do filme “Os Olhos da Minha Mãe – The Eyes of my Mother”, que estreia em Portugal no próximo dia 23 de Fevereiro.

 

 

Como surgiu o convite para interpretar a Francisca?

Eu conheci o Nicolas Pesce quando trabalhava num videoclip. Depois desse trabalho ele ficou bastante entusiasmado com a a minha forma de actuar e disse-me que ia escrever um guião à minha medida. Naturalmente que isto é algo que já tinha ouvido antes de modo que não dei muita atenção. Ele tinha acabado de sair da NYU (Universidade de New York), não tinha ainda qualquer crédito no IMDB de modo que nunca pensei ouvir falar dele outra vez.

Passado um mês telefonou-me entusiasmado pois estava a escrever um guião e achava que eu era a pessoa perfeita para interpretar a personagem principal. Encontrámo-nos. Ele ainda só tinha dez páginas de guião mas a minha identificação com o projecto foi imediata. Eu estava a passar por um momento difícil nos Estados Unidos e o facto de ter dez páginas escritas foi uma oportunidade incrível pois permitiu que falássemos imenso sobre o filme, discutíssemos cenas e a personagem, foi uma colaboração entre nós os dois.

Por exemplo, uma vez quando estávamos juntos, a minha mãe ligou-me e ele ouviu-me a falar. Gostou muito da sonoridade da nossa língua e achou que a personagem devia ser portuguesa. Isto numa mentalidade americana é muito interessante pois para eles Portugal é um país muito pequenino, distante, exótico e ele queria trazer essa diferença para o filme.

Para mim isso foi muito gratificante pois permitiu-me trazer um pouco da nossa cultura para o filme e isso vê-se por exemplo na utilização da música de Amália Rodrigues. O fado enquadra-se bem pois fala de saudade, isolamento, tristeza e é basicamente isso o que a minha personagem vive. Há uma outra cena em que a Francisca está a comer arroz de cabidela, feito com o sangue as vítimas dela. Ela reza imenso, há a imagem da Virgem Maria…

 

Houve alguma personagem de algum filme que a tenha influenciado?

Sim. “Audition”, de Takashi Miike,… o “Under the Skin”, com a Scarlett Johansson foi muito importante para mim porque a personagem não fala muito mas transmite quase todo o seu interior, as emoções, através do olhar e isso serviu-me de inspiração.

No trabalho de pesquisa que fiz também senti influência de algumas obras de realizadores como Lars von Trier ou Hitchcock e li muito sobre serial killers e a forma como executaram os assassinatos.
Os Olhos da Minha Mãe | Entrevista a Kika Magalhães

 

Qual foi o método usado para construir a Francisca?

Todos os actores têm o seu próprio método. Eu estudei na Neighbourhood Playhouse que ensina a técnica de Meisner, mas acho que faço uma junção de métodos que já nem é método nenhum em particular. Recorro muito às minhas própria emoções. Por exemplo: quando recebi o guião estava a passar por muitas dificuldades nos Estados Unidos. A minha família está toda em Portugal e eu sentia-me muito sozinha e levei isso tudo para a Francisca. Não acredito em coincidências e acho muito curioso ter recebido este guião naquela altura da minha vida. Parecia mesmo que o realizador se tinha metido dentro da minha cabeça. Também o nome da personagem parece um sinal: ele conheceu-me como Kika e deu-lhe o nome de Francisca, que é o meu verdadeiro nome. Parecia mesmo que este filme estava destinado para mim. E verdade seja dita que isto já mudou um bocado a minha vida.

 

O filme teve estreia em Sundance. Como foi a sensação de o ver no ecran?

Foi incrível. Eu nem sabia a dimensão que o Sundance tinha até lá estar. Foi mesmo a primeira vez que vi o filme na vida e a primeira vez que me vi a mim mesma como actriz numa sala de cinema. E a sala estava cheia…

Acho que acontece com todos os actores mas só conseguia ver os meus defeitos. Saí da sala a pensar que era horrível mas as pessoas vinham ter contigo, davam-me os parabéns, elogiavam o meu trabalho… Depois começaram a sair críticas muito positivas na Rolling Stone, na Esquire,… e foi aí que eu realmente percebi que as coisas estavam a correr bem, melhor que o que alguma vez eu imaginei.

O filme foi estreado numa Sexta-Feira à tarde e pela sinopse as pessoas pensavam que iam ver um drama bonito sobre uma miúda e depois… logo os primeiros dez minutos do filme são muito chocantes e talvez umas trinta pessoas sairam da sala nessa altura e eu fiquei em pânico mas o realizador estava contente, pois segundo ele o filme tinha realmente tido impacto. “Foi isto que aconteceu na estreia do ‘Psycho’”, disse-me ele, e aí percebi.

É um filme muito fora do normal. Inclusive tenho um bocado de medo da estreia em Portugal, porque mexe muito com certas tradições portuguesas. Espero que não ofenda ninguém pois foi feito com boas intenções.

 

Projectos para o futuro?

Estou envolvida num novo filme do género comédia, que ainda está numa fase muito inicial e que é muito diferente deste, apesar de também ter algumas frases em português.

Estou em comunicações para uma série e também tenho um projecto pessoal: escrevi um guião e gostava muito de o fazer. Penso que é fácil de produzir e ando à procura de apoios e financiamentos. Já há algumas pessoas interessadas e já tenho um bom produtor e um bom director de fotografia que querem fazer isto. Agora é uma questão de tempo.

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