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E Agora Invadimos o Quê?

de Michael Moore

muito bom

Michael Moore invade amigavelmente países para lhes roubar as melhores ideias e tentar melhorar os seus Estados Unidos da América.

 

Bowling For Columbine foi um filme importante, não só porque popularizou os filmes documentais, mas também porque colocou Michael Moore no mapa. Vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2003 partia da tragédia do massacre do liceu de Columbine, no estado norte-americano do Colorado, para retratar a sociedade americana como vítima de uma cultura de armas, medo e violência. O seu estilo popular e confrontador, aliado à sua agenda liberal (o horror!) fez com que ganhasse uma reputação que o seguiu pelos filmes seguintes – Fahrenheit 9/11, vencedor inesperado em Cannes 2004, SickoCapitalismo – Uma História de Amor: populista, parcial e manipulador são alguns dos “palavrões” mais usados para o insultar. A ironia é que Moore é um cineasta, manipulador de som e imagem num processo de edição que, tapem os ouvidos às crianças, é uma forma de manipulação e parcialidade, seja no universo da ficção ou do documentarismo. Há uma convicção generalizada que os documentários refletem a verdade, quando na realidade refletem uma verdade: a do seu autor. Além disso populismo não é sinónimo de demagogia. Pensar o contrário é, em si, uma forma de elitismo intelectual mais insidioso do que a vontade de ser ouvido e compreendido, anátema de quem nos quer manter na ignorância.
Apesar de algum desgaste da sua imagem Moore volta a colocar-se em E Agora Invadimos O Quê? em frente às câmaras e aparece-nos com uma nova postura. Em vez do confronto a que nos habituou encontramos um inesperado positivismo e otimismo. Esta vontade de beber de experiências de sucesso é contagiante e inspiradora. Desde as regalias dos trabalhadores em Itália, o sistema de educação na Finlândia, as prisões na Noruega até à despenalização do consumo das drogas em Portugal, num segmento que causou furor e reações na plateia onde assisti ao filme, os exemplos apresentados são comprovados casos de sucesso e aparentam ser óbvios exemplos a seguir, nos EUA ou em qualquer outro lado. Correndo o risco de ilustrar a realidade europeia como uma perfeição utópica é, no entanto, uma seleção de casos de exceção pois, nas palavras do autor, está mais interessado com este filme em colher as flores do que as ervas daninhas.
E Agora Invadimos O Quê? não é só uma reflexão política como também social e humana, mas como seria possível separar estes elementos? (Ah, é verdade: basta ligar a televisão diariamente e assistir às notícias). Apesar do artifício do roubo das ideias o que se vai tornando evidente é que o essencial para que estas funcionem é uma mudança, em primeiro lugar, das mentalidades e um redireccionamento radical dos interesses dos políticos e dos poderes económicos para aquilo que realmente interessa: as pessoas. Se Michael Moore está otimista em relação a esta possibilidade, porque não nós sonharmos também?

Resumo da crítica

Summary

E Agora Invadimos O Quê? é essencial, contagiante e inspirador sendo, ao mesmo tempo um ótimo entretenimento revelando um Michael Moore inesperadamente positivo e otimista.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

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