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CÓRTEX 2016 | Entrevista a José Chaíça

José Chaíça - Córtex

O Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra regressa, de 18 e 21 de Fevereiro de 2016, ao Centro Olga Cadaval em Sintra. José Chaíça, um dos organizadores, dá-nos algumas respostas sobre o que será a 6.ª edição do festival.

 


O que mudou no CÓRTEX deste ano?

A estrutura do Córtex mantém-se a mesma. O que muda na verdade é a cada vez maior responsabilização que sentimos enquanto agentes culturais. Aos seis anos de existência temos noção de que o Córtex é cada vez mais uma imprescindível  plataforma na divulgação do cinema português e internacional, que ocupou um lugar determinante na forma como se faz cultura em Sintra. Os realizadores têm poucas oportunidades em Portugal de verem o seu trabalho reconhecido, divulgado e condecorado, o Córtex tem a responsabilidade cada vez mais gritante de contribuir para a vitalidade e impulsionamento do cinema nacional. O cinema conta connosco.

O que levou à escolha do homenageado Terence Davies?
Os nossos 6 anos e esta sensação de responsabilização, levou-nos a fazer um paralelo com as crianças que aos 6 anos encaram o primeiro grande passo em relação às responsabilidades impostas enquanto ser social, a ida para a escola. Por isso, decidimos subjugar o Córtex ao tema da infância. Perante esta ideia, e como principal programador do Festival, lembrei-me dos primeiros trabalhos de Terence Davis, uma trilogia marcada pela infância, neste caso um retrato da infância do próprio realizador, dado que as três curtas funcionam como uma espécie de autobiografia do cineasta. Para além de ser uma verdadeira obra prima, a trilogia de Terence Davis, vai ao encontro daquilo que todos os anos tentamos fazer nas nossas sessões de abertura: divulgar os primeiros trabalhos em formato de curta metragem de icónicos vultos do cinema. Estes filmes vão ter estreia absoluta em Portugal no dia 18 de fevereiro às 21h30 no Centro Cultural Olga Cadaval e serão projectados em 35mm.

Como vêem a produção de curtas metragens ao longo dos últimos anos?
Acho que qualquer pessoa que esteja minimamente ligada à produção de cinema em Portugal, facilmente constata que a produção de curtas metragens encontra-se em fase de ascensão há já vários anos consecutivos, e ainda não atingiu o seu pico. A curta metragem para além de cada vez mais nos oferecer trabalhos de uma qualidade esmagadora tem-se multiplicado nacional e internacionalmente. Produzem-se um sem número de obras todos os anos por todo o mundo, seja de jovens realizadores ou de realizadores que já encontraram o seu espaço há muito. A curta metragem tem provado que é um formato que vive por si só e que não é apenas um satélite das longas metragens, ou uma rampa de lançamento. Há toda uma vida que só faz sentido se for medida pela versão mais curta, há narrativas, visões e todo um espectro emocional que só cabe na curta metragem.

Quais são as expectativas para esta 6.ª edição?
São bastante positivas. O Festival é muito acarinhado, tem crescido todos os anos, tem tido cada vez mais público, por isso contamos que este ano seja mais um passo nesse sentido. O Córtex já ganhou o seu espaço e tem-se afirmado com determinação ao longo dos últimos anos.

Como se deu a ligação do CÓRTEX ao croata Motovun Film Festival?
Durante as nossas pesquisas sobre festivais que já tinham homenageado o Terence Davis, descobrimos que o Motovun Film Festival, tinha sido um deles. Quisemos claro, trocar impressões sobre o evento, sobre o estado das cópias dos filmes e outros aspectos técnicos. Uma coisa levou à outra, a ponte estabelecida entre nós e o director do Motovun, Igor Mircovik,  gerou muita empatia, e fez todo o sentido convidá-lo a programar a nossa secção Hemisfério, que tem como objectivo mostrar realidades  cinematográficas de outros países. O cinema croata estará representado no Córtex, coisa que dificilmente acontece em Portugal. Além disso a programação do Igor, tem também como tema a infância e adolescência, indo de encontro ao tema da sexta edição do nosso Festival.

O Mini CÓRTEX veio para ficar. Qual tem sido a resposta do público mais jovem?
O primeiro ano de Mini Córtex não poderia ter corrido melhor. Fizemos 4 sessões cheias de crianças, 3 delas oferecidas às Escolas Públicas do Ensino Básico do concelho de Sintra. Ver a sala de cinema repleta de pequeninos é uma emoção muito forte, porque estamos a formar futuros públicos o que tem um valor inestimável. A nossa parceria com o Festival Monstra é uma das melhores coisas que nos aconteceu, este tipo de sinergia entre festivais faz todo o sentido e de certa forma o Córtex e o Monstra são pioneiros neste tipo de parceria, em que a colaboração e a ajuda mútua têm sido para além de extremamente gratificantes,  uma aprendizagem valiosa. Mini Córtex veio para ficar e será certamente um dos pontos altos desta edição do Córtex.

Este ano alargam o festival ao espaço do MU.SA – Museu das Artes de Sintra, podem explicar?
O alargamento ao MU.SA aconteceu no ano passado. Vamos dar continuidade a essa ideia dado que o Museu é paredes meias com o Centro Cultural Olga Cadaval, e faz todo o sentido para nós poder aproveitar um espaço lindíssimo para por exemplo desenvolver as Palestras e Masterclasses, tal como aconteceu no ano passado.

Quais os maiores desafios na organização do CÓRTEX?
Portugal é o nosso maior desafio, a forma como é pensada, estruturada e desenvolvida a cultura em Portugal. Na carta de apresentação do Córtex, explico  que todos os anos sou invadido por um sentimento de alguma revolta que me faz pensar que será o último ano. A carta serve exatamente como um desabafo, um grito contra a ineficácia dos mecanismos de apoio à cultura em Portugal. É inadmissível que não exista por parte da grande máquina que é o Estado uma estrutura que possa apoiar festivais de cinema de forma realista. Só os grandes festivais, as grandes companhias de teatro, as associações culturais com máquinas bem oleadas, é que conseguem ter os meios para sobreviver às pesadas e burocráticas candidaturas, que exigem o impossível. Para poder concorrer a apoios temos de ter um certo número de dias de festival e um certo número de público, mas como vamos conseguir esses números sem apoio? O Córtex é feito exclusivamente com o financiamento da Câmara Municipal de Sintra, nossos co-produtores e com o apoio da União de Freguesias de Sintra, mas estas verbas não permitem alcançar o patamar que o ICA pretende para nos poder apoiar financeiramente. No entanto o Córtex é um festival com provas dadas, um muito importante veículo de divulgação do cinema feito em Portugal e além fronteiras, com uma forte comunicação na imprensa, e que não consegue preencher ainda os requisitos para ter direito a apoios do Estado. E não só no cinema que isto acontece, é assim em tudo no que diz respeito à cultura. Já repararam bem nas candidaturas da Dgartes? O absurdo que é tudo aquilo? Em Portugal só se apoia quem já é crescido, não se estimula o crescimento, não se aposta em novos valores na cultura. E na verdade o que nos fazia falta eram pequenos estímulos, algum dinheiro, não falamos de valores extravagantes, qualquer coisa que viesse, era uma importante ajuda, acontece é que não existem esses pequenos apoios, ou se dá muito dinheiro, ou não se dá dinheiro nenhum. Sublinho ainda que sou completamente contra a subsidiodependência, o Reflexo, associação sem fins lucrativos que produz o Córtex, paga ordenado a mais de meia dúzia de pessoas, exclusivamente com o dinheiro que faz das actividades culturais que produz, mas o apoio à produção cultural por parte do Estado é um direito que todos os produtores de cultura sem fins lucrativos deveriam ter acesso. Portugal é o maior desafio.

Já estão a trabalhar em ideias para a 7.ª edição? Podem revelar alguma? 
Estamos profundamente mergulhados e assoberbados com a sexta edição do Córtex, se tivéssemos a capacidade de pensar na sétima edição em simultâneo, não estaríamos aqui, pertenceríamos a uma qualquer liga de super heróis nos Estados unidos da América.

Querem deixar alguma palavra aos leitores da Take?
Queremos convidá-los a vir passar um fim de semana a Sintra em que poderão ver uma selecção do melhor que se faz no formato da curta metragem, nacional e internacionalmente. Venham ver o trabalho de Terence Davis que é qualquer coisa de sublime, é uma oportunidade única e irrepetível. E para quem tem filhos, levem-nos no domingo dia 21 de fevereiro, às 11h da manhã para uma sessão de cinema inesquecível, seguida de um workshop de cinema para pais e filhos. Passar um fim de semana em Sintra nunca fez tanto sentido como agora. Venham daí!

O Córtex realiza-se de 18 a 21 de Fevereiro, em Sintra, com sessões no Centro Olga Cadaval e as actividades paralelas no MU.SA.


+ info:

festivalcortex.com
facebook.com/cortexfestival
instagram.com/festivalcortex

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