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Cinzento e Negro

de Luís Filipe Rocha

bom

Produzido pela Fado Filmes, de Luís Galvão Telles, chega-nos Cinzento e Negro, de Luís Filipe Rocha, uma história amoral, de solidão, traição e vingança, passada na paisagem açoriana.

 

Descrito como «uma história vulcânica», Cinzento e Negro, o mais recente filme de Luís Filipe Rocha, o autor de Cerromaior (1980), tem as cores do seu nome devidas à cinza do vulcão do Pico, como nomeado na abertura, nas linhas de Raúl Brandão, mas também à alma dos seus personagens, numa história que roça a amoralidade do film noir, sem, contudo, pretender usar a sua estética.

Numa altura em que muito se discute a pertinência de uma espécie de via do meio para o cinema português, algures entre os filmes de autor, mais apreciados por uma elite intelectual, e o cinema popular, popularucho e telenovelesco, Cinzento e Negro surge apostado em explorar essa terceira via, nas mãos de um realizador que já, nela, teve um sucesso comercial em Adeus Pai (1996).

Com a lindíssima paisagem açoriana em destaque (o filme foi parcialmente rodado no Pico e no Faial), Luís Filipe Rocha conta-nos uma história que tem como ponto mais forte a descrição das solidões e amarguras dos seus personagens, que os leva a um cinismo e rudez suficientes para nos incomodar, como algo mais forte que qualquer racionalização, mais intrínseco ao homem que qualquer calor humano. Dividido em três actos (o segundo dos quais num flashback em Lisboa), Cinzento e Negro conta-nos como David Justo (Miguel Borges) procura o isolamento nos Açores, onde é procurado pela namorada abandonada Maria das Dores (Joana Bárcia) e o detective Lucas (Filipe Duarte), para se deixar trair ao procurar o conforto dos braços de Marina (Mónica Calle).

Se o retrato da solidão, exacerbado pela vastidão da paisagem que Luís Filipe Rocha filma com um olhar contemplativo, e o fervor visceral da história são os pontos altos do filme, já as interpretações demasiado desiguais (Joana Bárcia fortíssima, Filipe Duarte exageradamente forçado) e o arrastar de uma história cujo segundo acto serve apenas para nos mostrar tudo o que já adivinháramos, são talvez os seus pontos mais fracos.

Cinzento e Negro foi seleccionado, em 2015, para o Festival des Filmes du Monde, de Montréal, no Canadá, tendo ainda sido apresentado, no mesmo ano, na Mostra Internacional de São Paulo, no Caminhos Film Festival, onde recebeu os prémios de Melhor Actor, Melhor Banda Sonora Original (de Mário Laginha) e o Prémio para Melhor Filme do Público, e no Figueira Film Art, onde recebeu os prémios de Melhor Longa-Metragem, Melhor Realização, Melhor Argumento, Melhor Actriz e Melhor Fotografia. O filme foi co-produzido pela brasileira Luz Mágica Produções, e teve apoios do ICA, do Governo Regional dos Açores, da ANCINE e da Ibermedia.

Resumo da crítica

Summary

Cinzento e Negro (2015) de Luís Filipe Rocha, é uma história de solidão, traição e vingança, numa amoralidade quase noir, de personagens rudes e amargas, passado na vastidão da lindíssima paisagem açoriana.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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