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[Cine Fiesta 2016] Sete Minutos depois da Meia-noite

de J. A. Bayona

mediano

Entre Spielberg e Dickens, J. A. Bayona volta a imergir no mundo das super-produções, para com Sete Minutos depois da Meia-noite (2016), nos dar um conto de sofrimento e perda, visto pelo universo infantil dos contos de fadas.

 

Depois do promissor e irreverente O Orfanato (2007), um filme de terror de tons clássicos e visualmente imaginativo, Juan Antonio Bayona trocou a sua natal Catalunha por Hollywood, para a super-produção em jeito de filme-catástrofre O Impossível (2012), aproveitando a consternação do tsunami de 2004 no Oceano Índico. É ainda nessa onda (passe o trocadilho) de produções de luxo que, após mais um interregno longo, nos chega Sete Minutos Depois da Meia-noite, um conto de fadas de tons negros, baseado num livro de Patrick Ness, escrito com base numa ideia da já falecida escritora de contos infantis, Siobhan Dowd.

É a partir da doença terminal de Siobhan Dowd que se constrói a história de Sete Minutos depois da Meia-noite, a qual nos fala da forma como um rapaz lida com a doença da sua mãe. Ele é Conor (Lewis MacDougall), uma criança que se isola de todos, lutando para negar a verdade que sabe iminente, a sua mãe (Felicity Jones) irá em breve morrer de cancro. Na sua negação, Conor será visitado por um monstro, personificação de uma árvore milenar (com voz de Liam Neeson), que o irá confrontar com sonhos e pesadelos, e tentar acordá-lo para a realidade através de contos de fadas.

Devido ao modo como Bayona usa a criança como intermediário para, através de uma lógica infantil, chegar aos sentimentos que nos quer fazer sentir, dir-se-ia que Sete Minutos depois da Meia-noite é um cruzamento entre o universo de Spielberg e os fantasmas moralistas de Dickens, numa atmosfera negra, que só pode ser a de quem tem o sofrimento bem presente à flor da pele.

Apesar das boas intenções, e da presença da voz retumbante de Liam Neeson, muito no filme de Bayona não parece passar de pretexto para inúmeros efeitos especiais, e um sensacionalismo sentimental quase gratuito (da forma como o pequeno Conor é caricaturalmente abusado por todos, ao modo como a sua mãe não passa de um personagem-tipo sem qualquer espessura, num desaproveitamento completo da competente Felicy Jones). É como se Bayona nos quisesse dizer «estou a falar de cancro, incomodem-se!», e não soubesse fazer mais que mostrar uma criança, muitas vezes histericamente aos gritos.

O melhor do filme são, sem dúvida, os contos do monstro, que nos chegam em sequências de animação, como aguarelas que vemos ganhar forma diante dos nossos olhos, numa beleza estonteante. Fica, no entanto, a ideia de que, sem saber ligar as parábolas dos contos numa história mais profunda, Bayona se limita a tentar manipular-nos os sentimentos, quer com efeitos especiais, que após os primeiros minutos se tornam uma feira vazia, quer com clichés de sofrimento, onde nem a presença de Sigourney Weaver consegue trazer qualquer laivo de imaginação.

Resumo da crítica

Summary

Nova super-produção de J. A. Bayona, que dá mais importância aos efeitos especiais que à subtileza dos sentimentos que quer transmitir, numa história negra, entre clichés e o lado visualmente apelativo da animação de aguarelas.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

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