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Ciclo Natal 2016 . Bad Santa – O Anti-Pai Natal

de Terry Zwigoff

Com o Natal à porta, a Take decide recordar uma pequena selecção de filmes cuja acção decorre durante a época festiva. No entanto, nem todos os filmes natalícios têm a paz e o amor como pano de fundo.

Com tantos «pais natais» em cada porta de loja e centro comercial, o que seria se um deles, longe de encarnar o espírito natalício de alegria, fosse o oposto dessa imagem? É a isso que responde Terry Zwigoff, no seu filme Bad Santa – O Anti-Pai Natal (2003), produzido pelos irmãos Coen.

Nele, Willie (Billy Bob Thornton) é um Pai Natal de centros comerciais, ex-presidiário, amargo, descrente na vida, constantemente embriagado, e com um talento natural para atrair o ódio de todos, tal o desprezo que carrega consigo. Como se estes defeitos fossem poucos, quando não está a praguejar, a beber, a ter sexo às escondidas no local de trabalho, a insultar quem o contrata, ou a escandalizar as crianças que é suposto divertir, Willie está a preparar o assalto ao cofre do próprio centro comercial, com o seu comparsa, o anão Marcus (Tony Cox), que é quem, ano após ano, lhe vai arranjando os trabalhinhos.

Até que num ano, um miúdo (Brett Kelly) se aproxima dele, fascinado por pensar que Willie seja o Pai Natal verdadeiro, e seguindo-o para todo o lado apesar de enxovalhado. Aos poucos Willie começa a compadecer-se do pequeno e, mesmo não querendo, e muito menos sem saber como, vai acabar por se preocupar com ele.

Sendo o filme de Natal com maior número de impropérios da história do cinema (não falando nas situações politicamente incorrectas, muitas vezes a roçar a crueldade e o ordinário), Bad Santa – O Anti-Pai Natal triunfa pela excelente interpretação de Billy Bob Thornton, que nos vem mostrar que nem tudo são rosas na fachada natalícia que o mundo comercial nos apresenta. Risível e detestável em partes iguais, o seu Willie é tão repugnante que nos prende a atenção, exactamente por essa novidade num papel que queremos sempre fofo e bonacheirão.

Entre inadequações, algum ridículo, e a tal criança que é preciso ir salvando, o estanho Pai Natal vai acabar por descobrir que, mesmo banhado em álcool, anda tem coração, num filme que tem a coragem de divertir pelo choque de afrontar uma quadra quase sagrada no imaginário do cinema.

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