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Borboleta Negra

de Brian Goodman

muito mau

Se um thriller criminal é geralmente uma aposta ganha na tentativa de gerar emoção numa sala de cinema, Brian Goodman dá em Borboleta Negra (2017) uma lição de tudo o que não se deve fazer para que esse tipo de filme resulte.

 

Mais experimentado como actor que como realizador, Brian Goodman traz-nos agora a sua segunda longa-metragem, depois da estreia atrás das câmaras no drama criminal As Teias do Crime/What Doesn’t Kill You (2008). Mantendo-se no mundo do crime, Goodman dedica-se agora a um thriller, que conta com as participações de Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers e Piper Perabo, e é um remake do francês Papillon noir (2008), escrito por Hervé Korian e realizado por Christian Faure.

Como se adivinha deste tipo de filmes, é difícil falar de Borboleta Negra (e principalmente do que nele corre mal) sem revelar demasiados pontos do argumento que o espectador quererá descobrir por si. Diga-se então apenas que se trata de um thriller que se constrói da relação entre dois homens. Um é um pacato, e quase sempre alcoolizado, escritor (Banderas) que vive isolado na montanha, após ser deixado pela esposa. O outro é um vagabundo viajante (Meyers) com propensões para paranóia e violência, que o escritor leva para casa, depois de aquele o ajudar numa rixa num bar. Como habitual nestes filmes, nem tudo é o que parece, e da galopante tensão entre os dois homens, vão surgir os obrigatórios twists que sustêm a história.

O problema é que, num filme onde durante todo o tempo vemos escritor e hóspede a discutirem o que é real na ficção, e como as pessoas reais verdadeiramente se comportam, nada no filme parece realista, lógico ou simplesmente coerente. As reacções e comportamentos são sempre estranhos, e sente-se desde o segundo acto que tudo o que acontece não tem qualquer sentido em termos de argumento, que não seja manipular o espectador.

Nem vale a pena enumerar as vezes que os personagens têm comportamentos absurdos, nem como todo o esquema montado se baseia numa premissa infantil, nem explicar como os twists que se sobrepõem uns aos outros na tentativa de mostrar uma escrita elaborada, a revelam trapalhona e desonesta, nem comentar o tempo que se perde para nada depois da resolução final, e muito menos condenar a interpretação de um Antonio Banderas que parece tão entorpecido como actor, como o seu personagem o estava pelo álcool.

Tirando o personagem de Jonathan Rhys Meyers (e mesmo assim com um exagero desnecessário), pouco ou nada no filme de Brian Goodman resulta. Talvez por saber disso, Goodman nos tentou dizer que toda a história foi produto da imaginação de um bêbedo. Isso explicaria muita coisa.

Resumo da crítica

Summary

Thriller criminal que tenta superar-se com golpes e contra-golpes que não têm qualquer sentido lógico que não seja o de tentar manipular desonestamente o espectador.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
1 10 muito mau

Comentários

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