Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

Bolgen – Alerta Tsunami

de Roar Uthaug

mau

A actividade sísmica nas montanhas norueguesas, que constantemente ameaça desabamentos sobre os fiordes, é a inspiração de Bolgen – Alerta Tsunami (2015), um filme-catástrofe que acompanha o drama da família de um técnico da equipa de geólogos que vigiam a montanha na região de Geiranger.

 

Estreado no MOTELx sob o título The Wave, chega aos cinemas o novo filme do norueguês Roar Uthaug, agora sob o título Bolgen – Alerta Tsunami. O objectivo é conquistar os fãs do filme-catástrofe com todos os efeitos especiais e tragédias anunciadas a que eles têm direito.

Tudo se passa na pacata região de Geiranger, nos fiordes noruegueses, onde seguimos as preocupações de Kristian (Kristoffer Joner), um técnico que faz parte de uma equipa que mantém sob vigilância a actividade geológica das montanhas daquele fiorde, para tentar prever desabamentos que possam provocar tsunamis que afectem as povoações que fiquem perto das margens. É o último dia de Kristian, que prepara a família para se mudarem, quando algumas indicações suspeitas o levam a pensar que a tragédia pode acontecer em breve. Só que os seus ex-colegas são mais relutantes em aceitar tal facto, e em breve Geiranger e arredores vão estar sob a ameaça de uma onda gigante.

Começando pelos aspectos positivos, o filme de Roar Uthaug traz-no o alerta (ainda que alarmista) para uma realidade que talvez todos nós desconheçamos, existir uma intensa actividade geológica nas montanhas norueguesas, com placas instáveis em constante movimento, e capazes de provocar desabamentos que podem ser fatais para as localidades das margens desses fiordes. Foi o que aconteceu em 15 de Janeiro de 1905 em Lodalen, causando 63 mortos, e trazendo um alerta de pesadelo, sempre presente no subconsciente dos moradores daquelas regiões.

Mas se esta novidade e as inúmeras imagens da lindíssima paisagem natural norueguesa são motivos de interesse, o filme praticamente esgota-se nisso. O que resta é um chorrilho de lugares-comuns em que tudo parece já ter sido escrito e filmado antes. Senão veja-se. O homem que dá o alerta não é ouvido por ninguém; para aumentar o dramatismo, tudo ocorre no seu último dia de trabalho naqueles posto; entra em conflito com a própria esposa (Ane Dahl Torp) por excesso de dedicação ao trabalho; vê a família separar-se circunstancialmente, tendo de salvar todos, um por um, como pastor que busca ovelhas tresmalhadas; pelo caminho, e com a tragédia a decorrer, é ainda aquele que é capaz dos actos mais heróicos.

Bolgen – Alerta Tsunami torna-se, por isso, um lento crescendo para uma tragédia anunciada, a qual passa a ser terreno fértil para as aventuras do protagonista, que vai ter de passar por todas as pequenas situações e personagens secundários que fomos vendo surgirem sem grande critério ao longo da primeira metade do filme. Todos os momentos são dramáticas corridas contra o tempo, onde corre sempre tudo bem, mas só depois de se resolver no último segundo (às vezes até depois disso, como na obrigatória ressurreição de um afogado, que em filmes destes pode acontecer depois de morto durante vários minutos). Tudo é feito para nos tentar emocionar com a história de uma família normal. E no final fica quase a ideia de que o tsunami foi apenas um incidente menor, quando afinal o que interessava era ver que na família de Kristian todos são perfeitos, todos são heróis, e todos gostam tanto uns dos outros.

Resumo da crítica

Summary

Um típico filme-catástrofe, com todos os seus lugares-comuns filmados como quem segue uma cartilha do género, interessante pelo tema e pela paisagem norueguesa, mas demasiado infantil no construir do drama familiar que se parece sobrepor à própria catástrofe.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
1.5 10 mau

Comentários

Share, , Google Plus, Pinterest,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *