Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

Animais Nocturnos

de Tom Ford

muito bom

Na sua segunda longa-metragem, Animais Nocturnos (2016), o estilista Tom Ford volta a trazer-nos o seu cinema contemplativo de temas interiores aos seus protagonistas, numa abordagem onde o estilo quase supera o conteúdo.

 

Tom Ford, nome conhecido do mundo da moda, surpreendeu ao estrear-se no cinema com Um Homem Singular (2009), filme discreto, conciso e contemplativo sobre o drama de um respeitado professor de inglês incapaz de lidar com a morte do seu companheiro. Não admira que o anúncio do seu segundo filme, Animais Nocturnos, trouxesse alguma curiosidade, por esse cruzamento de estéticas, das passerelles para os ecrãs, que valeu o Grande Prémio do Júri do Festival de Veneza.

Animais Nocturnos é, de certo modo um passo ao lado, voltando a ser um exercício de estilo, assente numa abordagem fortemente estética, mas que não supera o seu antecessor, perdendo-se um pouco nessa obsessão pelo estilo, em detrimento da narrativa.

O filme conta-nos a história de Susan (Amy Adams), mulher casada e com carreira no mundo da arte, que um dia recebe um manuscrito do seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal). Ao ler o texto, Susan imagina a história (que vemos protagonizada por Isla Fisher e novamente Jake Gyllenhaal), e as fortes emoções daí decorrentes levam-na a um recordar do seu passado com Edward, muitos anos antes.

Trazendo-nos uma acção tripartida (momento presente, recordação do passado, e eventos descritos no livro), Ford tenta provocar-nos nos paralelos das histórias que são os de decisões possivelmente erradas, espectro de inacção, e ressentimento pela cobardia de agir, que são afinal temas transversais a qualquer vida e suas escolhas.

Se, por um lado, o expediente tem mérito, bem alicerçado nas interpretações exemplares de Adams e Gyllenhaal, por outro nota-se uma certa prisão ao estilo, à necessidade de dramatizar, e aos recursos visuais (da paleta garrida – nos azuis das cenas de Adams e nos vermelhos das cenas de Gyllenhaal – às sequências explosivamente brancas da galeria), que dá a entender que preencher a tela se torna mais importante que contar uma história, que deixa demasiadas pontas soltas.

Animais Nocturnos é, ainda assim uma história cheia de tensão (os minutos do rapto na estrada são brilhantes), bem interpretada, e de temas provocantes, mas que ganharia mais em ser vista por Ford como um filme, e não como uma peça de uma galeria.

Resumo da crítica

Summary

Bem interpretado, com uma história provocante e cheia de tensão, Animais Nocturnos perde-se um pouco na busca de um estilo onde impere a estética, mesmo que a fluidez narrativa por vezes saia a perder.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Share, , Google Plus, Pinterest,

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *