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Alien: Covenant

de Ridley Scott

mau

De volta ao universo Alien, Ridley Scott deixa de lado as questões filosóficas de Prometheus para voltar ao espírito do terror dos monstros do filme original.

 

Cinco anos depois de Ridley Scott ter começado a renovar a franchise Alien, com o filme Prometheus (2012), e pouco depois de deixar escapar que a série pode vir a ter meia dúzia de filmes, chega finalmente o segundo tomo, Alien: Covenant (2017), o filme que prometia fazer a ligação definitiva entre esta segunda série e aquela que foi protagonizada por Sigourney Weaver, com quatro filmes entre 1979 e 1997.

Com a popularidade da série Alien, e os elevados elogios da crítica para alguns dos seus filmes, há sempre uma enorme curiosidade em torno do rumo que Ridley Scott agora quer dar à série. Prometheus surpreendia por ignorar o «bichinho» mais repelente e mortífero da história da ficção científica, concentrando-se em questões como a origem da vida na Terra, e o seu significado, introduzindo uma espécie de seres alienígenas os Engenheiros, com um papel na origem e destino humanos. Se Prometheus desagradou aos que preferiam o caminho do horror e acção, ao quase ignorar os filmes precedentes, tinha o mérito de lançar perguntas pertinentes, e deixar ambiguidades no ar, que pediam, obviamente, uma sequela.

Ei-la chegada, agora com Katherine Waterston como a heroína que tem que se superar e a sofrimentos inimagináveis para sair vitoriosa na luta contra os monstros (tal como as personagens de Sigourney Weaver e Noomi Rapace, antes dela), e Michael Fassbender a repetir o seu papel, quase a pedido do público, como o habitual andróide de intenções questionáveis, num elenco que tem por missão mostrar o maior número possível de asneiras infantis.

E a primeira coisa que se pode dizer é que a sequela é um passo ao lado na continuação da série. Em vez de explorar a nova mitologia de que Ridley Scott tanto se orgulhava há poucos anos, Alien: Covenant opta por duas outras coisas, a acção de terror que conhecíamos no passado, fazendo a ponte entre a nova série e o ser icónico criado nos pesadelos de H. R. Giger, e falar-nos de consciência e identidade na parábola que é a inteligência artificial na relação entre criador e criação, afinal o tal mito de Prometeu, que dera nome ao filme anterior.

Não que Alien: Covenant não ofereça questões e diálogos interessantes, e não tenha uma componente visual fortíssima. Mas se na parte da acção nos lembra os filmes antigos (com forte cedência ao CGI), repetindo personagens, e dando-nos cenas a pedido (como aquela em que um personagem olha para dentro dos casulos como o de John Hurt fizera no primeiro filme), na questão filosófica usa diálogos e questões que parecem retiradas de Blade Runner, ficando no ar a ideia de que talvez as duas séries se venham a fundir.

Ficam as cenas de acção, o aspecto visual nos ambientes negros, e a ambiguidade do personagem de Michael Fassbender como o mais conseguido de Alien: Covenant. Perde-se o rumo, no que parece uma cedência a lugares comuns para recuperar o público que vá aos filmes como a uma feira só para ver os seus bichinhos preferidos.

Acima de tudo, reforça-se a ideia de que o conceito de filme como uma unidade se perdeu na grande indústria. Agora temos séries no grande ecrã, como as de televisão, em que cada filme não precisa de fazer sentido por si próprio, pois os seus defeitos narrativos serão sempre vistos como portas abertas para uma sequela, prequela ou spin off. Do mesmo modo que o mais inútil dos filmes será sempre desculpado com um tijolo necessário na grande construção.

Resumo da crítica

Summary

Mais preocupado a fazer a ponte para o filme original da série, Alien: Covenant deixa as questões filosóficas de Prometheus para nos dar uma carnificina que nos coloca no território dos primeiros filmes, agora com mais CGI, e um argumento que parece remake.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

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