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Águas Perigosas

de Jaume Collet-Serra

bom

Mais de três décadas depois de Steven Spielberg e o seu Tubarão terem aterrorizado banhistas por todo o Mundo, o catalão Jaume Collet-Serra (Sem Identidade, Non-Stop) tenta fazer o mesmo, ainda que de uma forma menos ambiciosa. Se Tubarão se apresentava à época como uma produção de grande dimensão e se preparava para inaugurar uma era de blockbusters, Águas Perigosas como que pega apenas na cena inicial do filme de Spielberg e constrói toda a sua narrativa em torno disso: uma bonita mulher (Blake Lively) aparentemente indefesa, sozinha no mar com a companhia de um mortal predador.

 

Collet-Serra, que apesar de ultimamente andar mais ocupado a dirigir veículos de acção para Liam Neeson, tem já alguns títulos de terror no currículo (A Casa de Cera, Orfã), tenta fortalecer os laços de união entre protagonista e espectador, tornando claras as motivações da sua heroína, dando-lhe uma comovente história pessoal em torno de uma mãe perdida para a doença, uma irmã mais nova que a admira e um pai de quem aparentemente se tornou algo distante. Mas a verdade é que qualquer espectador se conseguirá identificar com uma simples história de sobrevivência de alguém ferido no mar, a 200 metros da costa, com um tubarão mortífero a respirar-lhe no pescoço, pelo que algumas das cenas mais pessoais se tornam desnecessárias.

 

Mas de resto, indo ao que interessa, Águas Perigosas globalmente cumpre, na sua curta duração, aquilo a que se presta: provocar inúmeros calafrios nos espectadores, mantendo a tensão a um nível elevado durante grande parte do tempo, ainda que nem sempre pareça explorar da forma mais eficaz possível a situação. Entre alguns planos verdadeiramente inspirados dos ataques repentinos do gigante predador, existem outros que, mais dependentes de uma acumulação de suspense, são demasiado rápidos e atabalhoados para provocar verdadeiro efeito – exige-se na construção destas cenas uma paciência que Collet-Serra não parece alguma vez vir a ter, estando claramente mais à vontade nos momentos de maior espalhafato ou a filmar as cenas de surf iniciais, onde consegue captar alguns planos belíssimos.

 

Claro que uma palavra terá também de ser reservada para Blake Lively, que carrega o filme às costas como praticamente a única presença em cena durante 90% da sua duração. O realizador perde algum tempo a admirar o corpo escultural da actriz durante as cenas iniciais, algo que pode inicialmente parecer mera exploração, mas que ganha uma outra força quando esta é finalmente atacada e ferida pelo tubarão: contra uma força assassina da natureza, não há beleza que valha e aí estamos todos no mesmo barco. E a partir do momento em que se tem uma Blake Lively em fato de banho à frente da câmara e não se consegue olhar para ela de forma minimamente sensual, sabemos que temos alguma coisa de interessante em mãos. Mérito também da actriz que mostra uma vez mais que tem muitos recursos, além da beleza, para fazer o seu trabalho.

 

 

Resumo da crítica

Summary

Nem sempre capaz de conseguir o suspense necessário para prender por completo o espectador, Águas Perigosas cumpre globalmente os seus propósitos, e tem em Blake Lively a protagonista ideal.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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