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[17ª Festa do Cinema Francês] Terre Battue

de Stéphane Demoustier

mediano

Escrito e realizado por Stéphane Demoustier, Terre Battue (2014) fala-nos, em tom triste, da crise económica do mundo actual, numa história de busca de novos caminhos, quando no emprego e em casa tudo parece ir desabando.

 

Já com uma longa carreira como produtor, argumentista, e também como realizador de curtas-metragens, Stéphane Demoustier estreou-se em 2014 no formato mais longo. Foi na realização de Terre Battue, um drama que usa como título o duplo sentido de uma expressão que pode referir-se literalmente ao piso de courts de ténis (nomeadamente o de Roland Garros, ex-libris dos torneios franceses), ou simbolicamente à ideia de recomeço e percorrer de caminhos já antes pisados.

É essa a história de Jérôme (Olivier Gourmet), gerente de supermercados, que, avesso a mudanças no emprego, se despede para se lançar por conta própria. A sua paixão torna-se obsessão, a ponto de a esposa Laura (Valeria Bruni Tedeschi) se sentir incomodada, e de a carreira do filho Ugo (Charles Mérienne), que progride como tenista, a ponto de começar a ser seleccionado para competições a nível nacional, ser negligenciada.

Bebendo na situação actual, em que a crise económica é chamada várias vezes, e justificação para as peripécias e motivações do protagonista, Terre Battue é uma história que se nos apresenta como um caso de vida, cujo drama se vai complicando, nem sempre de forma escorreita. Se começamos com uma história de segundas oportunidades para um homem que tenta mudar de emprego aos 49 anos, passamos a um drama familiar com uma esposa alienada. Essa caminhada leva-nos a um exemplo de solidão, com o marido abandonado, e a braços com a educação do filho, para se tornar um documento sobre o treino de um jovem tenista, passando a um dilema ético sobre os limites do anti-desportivismo, concluído com actos heróicos de salvamento judicial.

É terreno a mais que Terre Battue tenta abocanhar, levando-se demasiado a sério por um argumento que é uma colagem de momentos, onde não há uma pinga de bom humor, em interpretações que se arrogam de parecer maiores do que conseguem, ou do que a história merece. Em suma, Stéphane Demoustier não consegue passar das curtas para a longa-metragem, dando-nos um filme desconjuntado, sem unidade ou coesão.

Nota final para a péssima decisão de se apresentarem legendas em português do Brasil na Festa do Cinema Francês. Com tão grandes diferenças gramaticais e de vocabulário (logo desde a gíria tenística), espera-se que não seja um exemplo a repetir.

Resumo da crítica

Summary

Drama da vida de uma família em desagregação no mundo neo-liberal, com um argumento que se perde em histórias subsequentes, num filme que se leva demasiado a sério, mas sem definir um rumo ou tema.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

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