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[17ª Festa do Cinema Francês] Le Grand Jeu

de Nicolas Parisier

muito bom

Thriller político actual, Le Grand Jeu (2015), primeira longa-metragem do francês Nicolas Parisier, mostra-nos o cinismo por trás dos jogos de poder, numa espécie de noir moderno, com Melvil Poupaud e André Dussolier.

 

Terminasse Le Grand Jeu no final da sua primeira sequência de diálogos, e deixar-nos-ia de água na boca. Em breves minutos temos todo um jogo de insinuações e descobertas, jogado a dois (Melvil Poupaud e André Dussolier), onde, com réplicas acutilantes, nos sentimos a ver um palco de teatro, a preparar caminho para algo de grandioso. Mas o filme continua sem respeitar essa fasquia, o que não surpreende, quando se trata de uma primeira obra, a estreia na realização de longas-metragens de Nicolas Parisier, que também escreveu o argumento deste filme selecionado para o Festival de Locarno.

Acompanhamos depois a situação de Pierre Blum (Poupaud), um antigo escritor, que parou o ofício por orgulho, e pela dor de uma separação. Ele será recrutado pelo sinistro homem dos bastidores políticos, Joseph Paskin (Dussolier), para que escreva um livro em nome de outrem, com o intuito de agitar as águas politicamente, num jogo complexo de insinuações e acusações. Com Paskin, Pierre Blum (e por ele, nós próprios) vai aprender sobre o cinismo dos jogos escondidos, sofrendo na pele quando tem de fugir para se refugiar numa comunidade anarquista, onde conhece Laura (Clémence Poésy), o seu novo interesse amoroso.

Lembrando um anti-herói de film noir, desadaptado de uma sociedade que não lhe diz nada, e sobre a qual vai descobrir tanto de tenebroso, Pierre terá de fazer uma viagem de auto-descoberta, entre cinismo, depressão e luta por sobrevivência, ou por algum ideal. Le Grand Jeu envolve esta história pessoal com trama política, e se ambas as vertentes são legítimas, elas acabam por colidir frequentemente, perturbando o ritmo da obra, onde se percebe algum saudosismo militante. Afinal, tal como o seu protagonista, Parisier representa a geração anti-globalização de 40 anos, hoje descrente, mas que há 15 anos se revia no sangue que correu no G8 de Génova.

Se bem que conseguindo um filme interessante, com diálogos muito bons e ideias provocantes, talvez Nicolas Parisier pudesse aprender alguma concisão na advertência do seu interessantíssimo Joseph Paskin, que nos ensina os perigos dos excessos de conteúdo, quando diz algo como «a liberdade de expressão é hoje mais eficaz que a censura».

Resumo da crítica

Summary

Com boas ideias, onde a trama política dos jogos de bastidores se mistura com uma história pessoal de descrença em ideais, Le Grand Jeu peca por não saber manter sempre o ritmo nem sempre se focar nos aspectos mais interessantes.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

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