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[17ª Festa do Cinema Francês] Des Apaches

de Nassim Amouche

bom

Segunda longa-metragem de Nassim Amouche, Des Apaches (2014) fala-nos de uma comunidade argelina da região de Paris, e de como ainda hoje esses imigrantes mantêm códigos de honra e organização interna ancestrais.

 

Iniciando-se quase como um documentário, que mostra como as ancestrais vilas nas montanhas argelinas, onde vive o povo berbere da etnia cabila, se organizam tradicionalmente segundo uma democracia própria que terá impressionado o próprio Karl Marx, Des Apaches transpõe essa realidade para o cenário urbano de Paris, onde o peso da tradição fala ainda mais alto que contratos escritos e definições legais.

Realizado, escrito e interpretado por Nassim Amouche, o filme conta-nos a história de Samir (o próprio Amouche), uma espécie de ovelha tresmalhada que, após anos afastado da comunidade, com uma prisão pelo meio, descobre o pai (Djemel Barek), com quem nunca teve antes muito contacto. Esse reaproximar vai colocá-lo a par dos negócios da família, numa atribulada venda que tem de passar pelo conselho cabila. Ao mesmo tempo testemunhamos pedaços da história de Jeanne (Laetitia Casta), mãe solteira que luta para educar o filho (Alexis Clergeon), ele próprio com sangue africano, e que nunca conheceu o pai.

Contando alternadamente as duas histórias, há um claro intuito para nos fazer ver no pequeno filho de Jeanne, um espelho do que terá sido Samir enquanto adolescente, também ele filho de uma relação ilegítima, e criado apenas pela sua mãe. Amouche chega a sugerir-nos que o filho de Jeanne seja o próprio Samir, numa história de solidões, que é ao mesmo tempo documental, sobre uma etnia diferente, que cria o seu próprio «ecossistema» no centro da sociedade francesa.

Com um olhar frio, e mesmo desgarrado, Amouche filma os afastamentos e as incapacidades de relacionamento que, se por um lado se aplicam às tais ovelhas tresmalhadas, são, por outro lado, tão comuns na sociedade contemporânea. Des Apaches não deixa de trazer um travo agridoce, onde o humanismo das histórias pessoais se intromete no peso da tradição, e onde a incapacidade de conquistar finais felizes coexiste com a compaixão de ainda assim se tentar sempre o melhor.

Resumo da crítica

Summary

Olhar frio, e quase documental para uma narrativa de redescoberta e reaproximação numa comunidade argelina de Paris, na história de um jovem em busca do seu rumo, filmada num quase existencialismo que não necessita de dramatismo.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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